Redes sociais traçam perfis de candidatos a empregos


O que você escreve, a quantidade de amigos, páginas adicionadas e outras ações feitas em redes sociais como Facebook, Twitter, LinkedIn, Orkut, entre outras, podem servir como referências para traçar seu perfil em entrevistas de emprego. Especialistas em recursos humanos consideram que essas ferramentas podem contar pontos ou mesmo desclassificar um candidato, de acordo com as informações publicadas ou contradições encontradas entre estes perfis.

Algumas agências de emprego, em suas fichas de inscrição para vagas, já colocam como um dos campos a preencher as redes sociais em que o candidato está presente. Alguns livros já auxiliam as pessoas em como se portar nas redes sociais, levando em conta principalmente a importância delas para o profissional.

Quando os profissionais optam por usar as redes sociais para avaliar os candidatos e traçar o perfil, é importante saber se as descrições relatadas nas redes sociais e a utilização que é feita dela por esta pessoa está próxima da realidade, ou seja, se o que ele faz na rede social, fala ou segue vai ter uma interferência direta também nas relações de trabalho que vier a desenvolver na empresa a qual se candidatou a uma vaga.

O alerta principal é que ainda há uma grande quantidade de perfis falsos e isso pode interferir no momento da seleção, caso a avaliação esteja contando pontos para a aprovação desta pessoa.

De acordo com a psicóloga Zelimar do Carmo Battistoni, é possível antes ou após as entrevistas, entrar nas redes sociais destas pessoas para avaliar como ela se expressa, qual sua personalidade.

“Por meio das redes, consigo saber se a pessoa é mais exibicionista ou contida, se mostra proatividade ou introspecção, tomando por base alguns itens como as postagens, comunidades, número de amigos, entre outros”, afirma.

Já a psicóloga especialista em recursos humanos, Claudia de Souza Mota, que trabalha em uma agência de empregos, considera que as empresas estão cada dia mais usufruindo das redes sociais para divulgar as vagas de emprego e também informações sobre o perfil da própria empresa.

Ela afirma que as empresas de seleção também estão aproveitando estes recursos para selecionar candidatos, mas considera que a medida pode ser positiva e ao mesmo tempo negativa, dependendo do uso que a pessoa faz destas redes sociais.

Ela defende que as entrevistas tradicionais devem ser mantidas, pelo fato de as redes ainda serem mecanismos impessoais. “A seleção pessoal ainda é fundamental para finalizar qualquer processo de seleção, garantindo o sucesso desta avaliação que é feita da pessoa”, conclui.

Rede especializada
Uma rede focada no networking, ou seja, nas relações que permitem a troca de contatos e experiências de trabalho, é essencial hoje para a seleção de pessoas, apontam especialistas em recursos humanos.

Por meio de páginas próprias das empresas para o recrutamento ou mesmo os perfis em uma dessas redes sociais, no caso o LinkedIn, permitem que os candidatos se aproximem dos consultores, gerentes e as pessoas que possam auxiliá-los a ingressar no emprego desejado.

É importante ressaltar que todas as informações desse perfil estão abertas para consulta, por isso o essencial é sempre verificar se o que é postado condiz com a realidade, se não há qualquer informação distorcida ou que prejudique o seu perfil diante dos entrevistadores e possíveis gestores.

Para Cláudia, as redes sociais com foco no mercado de trabalho são espaços que devem ser aprofundados e mais utilizados pelas empresas, visto que as pessoas estão focadas apenas na busca profissional.

“É uma forma de a pessoa conseguir contato e as empresas fazerem a primeira avaliação desses candidatos”, ressalta. Nessas páginas, segundo a psicóloga, é essencial que os candidatos disponibilizem um mini currículo, com suas principais características o objetivos, competências, qualidades e defeitos, proporcionando informações que já permitam ao selecionador saber se tem o perfil adequado para a vaga. (AB)

Livro dá dicas
A forma como se portar nas redes sociais e como isso pode interferir em diversos aspectos da vida de uma pessoa, como até mesmo na seleção para um emprego, fez com que a antropóloga e consultora de etiqueta e marketing pessoal, Ligia Marques e o relações públicas e gerente de planejamento e comunicação digital Hegel Vieira Aguiar, relatassem no livro Etiqueta 3.0 que é importante ter um bom comportamento nas mídias sociais, mostrando principalmente como as empresas e usuários se comunicam e se relacionam na web, e explicando aos leitores por que devem se preocupar em como escrever mensagens e e-mails, sem cometer erros e perder uma oportunidade.

Para Lígia, atualmente boa parte das empresas utiliza as mídias sociais com a intenção de obter mais informações dos candidatos e, além do currículo, podem perceber como a pessoa se comporta na sociedade e, consequentemente, saber o que esperar dela na empresa.

Ela considera que entre as principais regras a serem seguidas hoje nas redes sociais estão: não postar por impulso, lembrar que você é aquilo que você compartilha, evitar postagens que possam comprometer a imagem, entre outras.

“Citamos, no livro, mais de 10 “gafes” como, por exemplo: postar com erros gramaticais, usar palavrões, arrumar briga pelas redes, postar conteúdo preconceituoso, fotos inadequadas”, diz a autora.

Com a ascensão das mídias sociais, a antropóloga considera que o comportamento das pessoas também muda conforme as “cabeçadas” que vai dando ao utilizá-las.

“Vemos muita gente perdendo emprego, sendo exposta de maneira excessiva e comprometedora. Muita gente começa a se dar conta que as mídias sociais saíram do campo “brincadeira” para algo mais sério e começam a tomar certos cuidados, valorizando algumas atitudes”, ressalta.

Todo comportamento off-line deve ser valorizado também quando a pessoa está on-line, portanto a pessoa deve ser cordial, saber qual o objetivo principal que busca ao ingressar em uma rede social, por essa razão deve ser sempre coerente no que diz ao se utilizar destes recursos.

“A velocidade de surgimento de novas plataformas é muito grande e as pessoas devem sempre verificar quais atendem aqueles objetivos propostos inicialmente. Não é preciso e nem se deve participar de todas”, finaliza.

Fonte: Página Sindical

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