Você tem a rede social que merece

André Trez*



Você já foi apresentado ao Twitter? Para o iniciante, o cartão de boas-vindas do Twitter o apresentaria como um site de relacionamento de estrutura simples, com possibilidade de micro postagens – limite de 140 caracteres – onde cabe enviar updates, flashes e links interessantes, ou simplesmente relatar o que se está fazendo no momento, enquanto você também lê e acompanha nos microposts dos seus contatos as suas atividades em “tempo real”. Contatos, aliás, têm outro nome: são “seguidores” os que acompanham as suas postagens e você é “seguidor” dos autores das postagens que lê.  Evidente que o uso mais banal no caso de alguém postar apenas um “fui ao shopping com a minha mãe” corre solto. Mas existe certo movimento especial, seletivo, que tem levado muita gente a manusear o mais novo brinquedinho virtual em nome de propósitos mais sérios.


A pesquisadora brasileira Raquel Recuero parece ter iluminado a impressão. Usuários que responderam a diversas perguntas elaboradas por Raquel indicaram que a conversa informal ocorre com freqüência no Twitter, mas a ferramenta apresenta o que ela chamou de “forte caráter informacional”. Raquel começa a concluir que a informação é super valorizada no Twitter porque atrai seguidores. Se resolver mergulhar neste oceano você perceberá que já é realidade a propaganda de blogs, por exemplo, a cada nova postagem divulgada com o link devido. Também não é novidade a magnífica possibilidade de seguir e acompanhar os microposts de grandes corporações da mídia, como CNN, BBC, The New York Times, e etc. A vantagem? Ordenar o caos que nos interessa. Em um só lugar você recebe as chamadas e links das matérias que acabaram de sair do forno em todos esses portais. Muito mais prático do que abrir infinitas janelas e fazer um tour por todos os sites que lhe interessam a cada cinco minutos. Fato percebido até pelos marqueteiros da campanha de Obama. No twitter do atual presidente dos EUA foi possível acompanhar cada passo e clicar nos links para ler as declarações mais importantes da campanha.


A observação mais extraordinária de Recuero é  relacionada ao que a pesquisadora chamou de “Broadcast do Eu”. Raquel constatou que o Twitter abriga pessoas com mais “audiência” do que muitos canais da grande mídia; no interior dessa ferramenta massiva os usuários estão criando impressões sobre o mundo e controlando as suas reputações, ao direcionar o seu público para blogs, sites pessoais de armazenamento de fotos, ou simplesmente opinando sobre algum acontecimento.


É satisfatório perceber que uma ferramenta tão simples pode ter o bom e eficiente uso dependente apenas do que fazemos com ela. O Twitter, como qualquer rede social, será bom e frutífero quanto mais relevante e apropriada for a ação dos seus atores.


  


André Trez*, sócio-diretor da NA3 Comunicação Estratégica.


FONTE: NA3

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