Código de ética é prioridade da Abracom em 2003

A preocupação com a Ética nos negócios foi um dos fatores que motivou a articulação das agências de comunicação para fundar, em abril de 2002, a Abracom.   

  

Na assembléia de fundação, já foi formado um grupo de trabalho para debater temas relacionados à Ética. O objetivo é criar um código para o setor e formar um comitê para deliberações sobre questões Éticas envolvendo associados, clientes, fornecedores e colaboradores.  

  

O grupo já realizou encontros de reflexão sobre o tema. A próxima etapa é redação do Código de Ética das Agências, que deve ser lançado durante a assembléia geral dos associados, prevista para abril.  

  

Leia a seguir entrevista com a coordenadora do grupo, Maysa Penna, da RP1 Comunicação.  

  

Qual a importância de uma entidade como a Abracom discutir o tema Ética?  

  

Maysa Penna – A discussão da Ética dentro da Abracom é tão importante quanto a discussão da Ética por toda a sociedade. Sem parâmetros éticos não é possível conquistar reconhecimento, credibilidade e respeitabilidade para nossa atividade. Isso é tão claro que o tema Ética começou a ser discutido pelos criadores da Abracom mesmo antes da fundação da entidade.   

  

O Grupo de Ética foi constituído juntamente com os demais grupos de trabalho que atuaram na criação e formatação da entidade, e vem se reunindo desde então, para cuidar do assunto. Desde o princípio, o trabalho teve por objetivo estabelecer os parâmetros éticos de nossa atividade, sem os quais todos acreditamos não ser possível conseguir um mínimo de organização razoável para o setor.  

  

Como está sendo conduzido o processo para elaboração do código de Ética da Abracom?  

  

Maysa Penna – A participação no Grupo é voluntária e muito bem vinda. Começamos com discussões em grupo sobre as questões éticas que nos afligem, depois passamos a conhecer e discutir os códigos de Ética de outras entidades brasileiras e de associações de comunicação empresarial internacionais e finalmente chegamos à redação de uma carta de princípios que foi apresentada e aprovada na assembléia de fundação da Abracom.  

  

A partir disso realizamos uma série de três cafés da manhã com especialistas no tema e agora vamos dar início à fase de redação do código para sua posterior apresentação a todos os associados, aprovação e implantação.   

  

Além disso, também será convidado um grupo de representantes de diversos segmentos para compor o Comitê de Ética, que será encarregado de acompanhar o cumprimento do código e de examinar e dar encaminhamento às demandas éticas que surgirem dentro da entidade.  

  

Como deve ficar a composição do Comitê de Ética?  

  

Maysa Penna – Serão convidados a integrar o Comitê de Ética da Abracom entidades setoriais afins à nossa atividade, representadas por profissionais atuantes nas mesmas. Esses convites serão formalizados tão logo dermos início ao processo de revisão, por um consultor especializado contratato, do Código de Ética que vamos começar a regidir. O objetivo é instalar o Comitê até abril, quando a Abracom completa seu primeiro ano de atividade.  

  

Que aplicações práticas o código de Ética deve ter no dia-a-dia do mercado das agências de comunicação?  

  

Maysa Penna – Antes de mais nada é preciso lembrar que um Código de Ética é um instrumento que dá diretrizes de ação, indica rumos, um pouco diferente de um conjunto de regras que determina especificamente como agir. O Código de Ética das Agências de Comunicação deverá respaldar a seriedade do trabalho do nosso setor e também ajudar a disciplinar nossa atividade, colocando à margem as empresas não sérias. Ele deverá, também, ajudar as agências e profissionais a tomarem suas decisões no dia-a-dia e a se posicionarem diante de muitas situações difíceis que não raro enfrentamos, seja no trato com os clientes, seja com o mercado.   

  

O importante a se destacar é que a existência do Código e do Comitê de Ética podem gerar desdobramentos futuros importantíssimos para nossa atividade: desde estabelecer um foro para o debate e a solução de demandas éticas, até a criação, por exemplo, de um selo de qualidade que ateste a seriedade e profissionalismo de uma agência.   

  

Como o associado pode participar do trabalho de redação do código  

  

Maysa Penna – É muito simples. Basta entrar em contato com a Abracom (11 3079.6839 ou comigo mesma, na coordenação do Grupo de Ética (11 5501.4655) e participar das próximas reuniões do Grupo. É importante informar a todos que além de reuniões mensais, o Grupo trabalha muito de forma remota, por delegação de tarefas e reuniões eletrônicas (via e-mail) para que possamos otimizar o tempo de todos, que é escasso.   

  

A próxima reunião do grupo deverá acontecer na primeira quinzena de fevereiro, na qual serão distribuídas as tarefas de redação do Código.  

  

Quanto maior a participação, maior será a legitimidade do processo?  

  

Maysa Penna – Sem a menor dúvida. A participação dos associados nesse processo é fundamental não apenas para garantir a legitimidade do Código, mas também para garantir que todos os aspectos que nos interessam estejam ali contemplados.  

  

As reuniões e encontros realizados até hoje mostraram claramente que todos têm uma importante contribuição a ser dada, mesmo que nunca tenha se dedicado a refletir sobre o assunto. Até porque, problemas éticos afligem a totalidade dos empresários do nosso setor, e mesmo os profissionais das agências.   

  

Concorrência predatória, relacionamento com clientes e com a mídia, relações trabalhistas e profissionais, todos são temas que permeiam a Ética e que interessam diretamente às agências, sem exceção.   

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