Comunicação interna e Comunicação Transnacional foram temas do Seminário Abracom/IICS

No dia 03 de agosto, a Abracom e o IICS (Instituto Internacional
de Comunicacão Social) realizaram em São Paulo o Seminário Internacional:
“Desafio global: comunicar-se com todo mundo em qualquer lugar”. O evento
contou com a presença de dois grandes nomes da comunicação internacional: Michael B. Goodman, professor da City University of
New York e presidente do Corporate Communication International (CCI) e
Alejandro
Formanchuk, da Universidade de Buenos
Aires  e presidente da
Associação Argentina de Comunicação.  O
seminário teve como patrocinadores Anglo American, Bradesco, Box Net e Maxpress
e apoio institucional do Jornal da Comunicação Corporativa e Jornalistas &
Cia.

Daniel Bruin abriu o evento agradecendo a todos
pela oportunidade de realização desta parceria e fez uma apresentação do IICS.
Para conhecer melhor o instituto clique
aqui. Em seguida Bruin passou a palavra para a
presidente do conselho diretivo da Abracom, Gisele Lorenzetti, que destacou o
aniversário de 10 anos da Abracom no último mês de abril e dos desafios da
associação para a próxima década.

Após Gisele, Marcelo Molnar (Maxpress) fez uma breve
apresentação sobre a dinâmica das informações e iniciou-se a apresentação dos
palestrantes, com Michael B. Goodman.

Em sua palestra cujo tema foi “Os desafios da comunicação
transnacional”, Goodman disse que o Brasil não é mais um país em
desenvolvimento e se pessoas ainda não entenderam isso, não têm uma boa leitura
sobre o país.

Com relação à globalização, o professor afirmou que houve
uma mudança qualitativa e quantitativa em como os “negócios” enxergam a
comunicação.

No que diz respeito à Web 2.0, Goodman se mostrou
impressionado em como os estudantes consomem informação. Onde ele atua, não há
mais leitura de jornal físico, apenas online. Além disso, a maior parte dos
alunos não vai à biblioteca.

Goodman falou também sobre modelos de negócios, enfatizando
que a maior parte das empresas não fabrica mais nada, e que fazer coisas não é
mais tão importante quanto inventar novas. Para isso, a empresa precisar ter
líderes capazes, com substância.

O professor expôs alguns dados do estudo
realizado em 2011 pelo CCI – CCI Corporate Communication Practices and Trends
2011: United States – Final Report:

·        
Transformação da disciplina de comunicação
corporativa devido à consolidação de funções externas e internas;

·        
Medo das empresas em investir, por causa das
incertezas da economia;

·        
Aumento da atenção à cultura corporativa e
comunicação interna;

·        
Dramático crescimento na complexidade e velocidade
de resposta ao papel das mídias sociais e a importância das práticas
corporativas;

·        
Ênfase maior na visão de negócios e capacidade
de articular ideias e persuadir os outros.

Em seguida Goodman tratou de mindset global e as competências necessárias a um profissional de
comunicação que atua nesta área, dentre elas: aprendizado da língua oficial e
de línguas estrangeiras; competência em matemática e básico em ciência e
tecnologia; competência digital; competências civis e sociais, entre outras.

Sobre as habilidades deste profissional o professor citou
integridade, honestidade, mindset
global, orientação para o negócio, etc.

Goodman ainda falou sobre o impacto do digital na
comunicação corporativa, crises online, sustentabilidade, responsabilidade
corporativa e culturas globais, finalizando com um parágrafo de George
Friedman, dizendo que a única certeza que se tem do futuro é que o senso comum
estará errado e que as coisas que parecem dominantes em certos momentos, podem
mudar com uma rapidez impressionante.

Dando continuidade ao evento, com a pergunta: O que deixar
de herança para sua empresa? Alejandro Formanchuk iniciou sua palestra. Segundo
ele, geralmente as pessoas respondem esta pergunta citando ferramentas, mídias.

Formanchuk afirmou que um diálogo geralmente começa com um
conflito. Só não tem conflito quando não há diálogo. E este último nem sempre
une. A cultura da comunicação tem que ser transformadora. E como criar esta
cultura? Para Formanchuk é necessário passar de uma comunicação de logística para
uma comunicação de influência. Não ter apenas a pretensão de entregar a
mensagem e sim de fazer com que ela seja influenciadora.

O especialista acredita que não é preciso pagar um
comunicador para criar ferramentas, formulários, revista interna, murais, e que
estes não são parte de um plano de comunicação e sim, de um plano de mídia. A
maior preocupação do comunicador interno é que a mensagem chegue. Para
Formanchuck a mensagem além de ser entregue, deve fazer o colaborador entender,
recordar, se interessar, dar valor e ser influenciado. Além disso, ter
coerência com o que a empresa faz, com suas ações. O que mais comunica são as
ações e não é possível transformar a cultura só com palavras. Elas precisam
estar em todos os níveis da organização: corporativo, liderança e colaboradores.

Para Formanchuk se um comunicador se tornar logístico, ele
será o primeiro a se cortado na crise, corta-se a revista, o mural. “Quanto
tempo por mês um colaborador tem contato com as ferramentas?”, perguntou. O
líder é o verdadeiro departamento de comunicação interna e tem que ser
sensibilizado, conscientizado e motivado. Ele tem que fazer parte da
comunicação interna, vendo como uma oportunidade para ele e para a equipe. “ As
empresas são o que são porque os líderes são o que são”. Para ser um bom
comunicador o mais importante é a credibilidade. Uma comunicação só é efetiva
quando o receptor crê no que está sendo dito.

Formanchuck acredita que a organização precisa ser
transformadora para que a comunicação também seja. Não se pode mudar a
comunicação se não mudar a organização e o poder, pois comunicação é exercício
de um poder, quem pode falar, o que pode falar, quando pode falar.

Para finalizar, Formanchuck lançou uma pergunta: O que posso
fazer a partir de amanhã? E respondeu com alguns pontos: o importante é que a
mensagem transforme; a comunicação interna não é uma área sozinha e é feita em
todo momento; a comunicação interna é muito mais do que ferramentas, mídias; é
preciso sensibilizar os líderes a respeito do seu papel; para que a comunicação
seja efetiva e transformadora ela necessita de emissores que tenham
credibilidade; é necessário integrar organização, comunicação e poder, além de
gerir de forma coerente cada área.

Após a apresentação dos dois palestrantes, foi aberta a
sessão de perguntas.

 

 

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