Série Diálogos Sidnei Basile da Abracom é aberta com debate sobre o futuro da comunicação corporativa

Para debatedores, a comunicação está em transformação e deve ser cada vez mais uma consultoria de inteligência competitiva das organizações



O ecossistema da comunicação está em transformação, tem novos atores e uma nova dinâmica. E os profissionais, as agências e as empresas precisam entender o novo contexto de seu trabalho.  A frase é da professora Beth Saad, da ECA-USP e deu o tom do debate promovido na quarta-feira, dia 25 de maio, na abertura dos Diálogos Sidnei Basile, que teve como tema uma questão proposta aos debatedores e ao público: o serviço de relações com a mídia está com os dias contados?  Cerca de 180 pessoas acompanharam o debate, que foi mediado pelo presidente da Abracom, Ciro Dias Reis, e também contou com as participações de Marcelo Alonso, diretor de comunicação da Vivo, de Renato Cruz, jornalista e blogueiro de O Estado de São Paulo, e de Alexandre Loures, diretor de comunicação da AmBev.



O debate fez parte do 1º Fórum Mega Brasil-Abracom de Lideranças da Comunicação, realizado durante a programação do Congresso Mega Brasil de Comunicação 2011, no Centro de Convenções Rebouças. E também marcou a inauguração da série Diálogos Sidnei Basile, da Abracom, em homenagem ao jornalista, que foi um dos principais profissionais de comunicação do mercado brasileiro. Na abertura do debate, o filho de Sidnei Basile, Juliano, e a mulher, Beth Basile, receberam as homenagens dos profissionais presentes no evento.



A assessoria de imprensa está no fim? Essa pergunta foi dirigida pelo presidente da Abracom aos debatedores, que durante duas horas debateram com a plateia a essência do trabalho de comunicação corporativa, as tendências para os profissionais e empresas e, concluíram, assessoria de imprensa é um serviço cada vez menos relevante, o que leva o profissional de comunicação corporativa a repensar sua atividade.



Para o presidente da Abracom, Ciro Dias Reis, a comunicação deve deixar de ser um serviço meramente técnico e se posicionar nas organizações como “consultoria em inteligência competitiva, pois é preciso estar envolvido diretamente nas estratégias de negócios do cliente”, disse.



A professora Beth Saad lembrou que o novo ambiente comunicativo privilegia  o diálogo. “Nesse ambiente, em que as mídias sociais colocam a interação em cena, não basta apenas informar, é preciso conversar, sempre”, afirmou.



Segundo Alexandre Loures, da AmBev, “o especialista puro em comunicação vai ter dificuldades crescentes nas empresas, pois estas exigem, cada vez mais, conhecimento profundo da atividade e engajamento”. Ele afirmou ainda que a empresa toda se torna uma comunicadora e que “nesse contexto, a própria área de comunicação tende a desaparecer, diluindo-se em todas as etapas da operação”, disse Loures.



O diretor de comunicação da Vivo, Marcelo Alonso, ressaltou que o modelo de comunicação baseado em mensagens verticais, de mão única, e também o modelo de assessoria de imprensa, têm como marca a ideia de controle. E, hoje, ” o profissional e a agência que se destacam são aqueles que têm competência para agir no meio do caos, em ambientes sem controle, pois é assim que as informações circulam no ambiente digital”, acrescentou.



O jornalista Renato Cruz trouxe para o debate o lado do profissional que está nos veículos. E lembrou que também a imprensa discute seu futuro. “Um jornal impresso é um objeto do século passado. Passa por um processo industrial e é distribuído fisicamente por caminhões, motos, veículos. Certamente esse modelo será totalmente diferente nos próximos anos”, disse. E ressaltou que a matéria publicada, antes, “era ponto final de um processo. Hoje, ela é mais o ponto de partida, porque ao ser publicada recebe comentários, é reproduzida nas redes sociais, gera novas pautas, está envolvida em um processo dinâmico”, afirmou.




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