Decisão do STF sobre diploma pode deixar vazio jurídico, diz membro do Conrerp em debate

 


Em debate realizado no dia 28 de julho na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas São Paulo e Paraná (Conrerp 2ª Região) e a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) discutiram se “a decisão do Supremo Tribunal Federal referente ao diploma de jornalismo pode afetar de alguma forma a formação acadêmica e a regulamentação de Relações Públicas”.


 


No dia 17 de junho, o STF decidiu, por oito votos a um, que o diploma de Jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão. Compuseram a mesa de discussões o presidente da Comissão de Direito na Sociedade da Informação da OAB-SP e consultor Jurídico do Conrerp 2ª Região, Dr. Luis Carlos Massoco; o diretor executivo da Abracom e membro do Sindicato Nacional das Empresas de Comunicação Social (Sinco), Carlos Carvalho; o fundador-presidente do grupo e do portal Universo RP e também diretor da Ketchum Estratégia, Flávio Schmidt, além da presidente do Conrerp, Elaine Lina de Oliveira e o presidente da ABRP, Luiz Alberto de Farias.


 


Para Luis Carlos Massoco, o cenário atual da Comunicação Social não mudou muito com a decisão do Supremo, e a área de RP nãos erá afetada. No entanto, ele afirmou que considera “equivocado afirmar que a profissão de jornalismo não tenha corpo técnico teórico suficiente e não vejo como aprender todas as suas especificidades apenas na prática – e isso se estende a todas as áreas das Ciências Sociais Aplicadas”.
 
“Jornalismo ainda é uma profissão regulamentada. Ou seja, não é mais preciso ter diploma – mas ainda é preciso ter registro – e isso deixa um vazio jurídico que ainda deverá gerar muitas discussões nos tribunais”, finalizou Massoco. Carlos Carvalho concordou com Massoco, e declarou que o curso de Jornalismo, e o de Comunicação Social como um todo, deveria se focar mais na formação humanista do profissional, muito mais do que técnica/operacional.


 


“O que precisamos dos cursos de Comunicação é que eles estejam cada vez mais preparados para formar profissionais de qualidade. Precisamos de um currículo mais amplo, mais humanista, menos técnico. É preciso privilegiar a capacidade intelectual na grade”, afirmou o diretor executivo da Abracom.


 


Sobre a decisão do STF, Carvalho afirma que nada mudou para as agências. “Quando o empresário contrata, ele não pede o diploma. Isso há muito tempo não é importante para as agências. O que é importante é a formação, a qualidade do profissional – e o mercado continua exigindo sólida formação”, disse.


 


O último debatedor, Flávio Schmidt, defendeu que a queda da exigência do diploma de jornalismo não tem qualquer impacto para a profissão de Relações Públicas. Para ele esse é um momento das Relações Públicas analisarem qual é o cenário daqui para frente, a partir dessa decisão do Supremo e da sua própria essência.


 


“Com o que os profissionais de Relações Públicas devem se preocupar diante desse cenário? Continuar metódicos em seus planejamentos, até tachados de chatos em certos momentos, mas em sinergia com a essência de RP, ou perder sua identidade? Acreditamos que fazer relações públicas é a maneira certa, é o melhor para as entidades que nos contratam. Os Relações Públicas precisam se preocupar com essa identidade para não se perderem. Relações Públicas tem a essência do todo, é o todo da comunicação da organização e em função da tendência do planeta, os empresários irão buscar RP em sua essência”, concluiu.


 


Fonte: Portal Imprensa – 11/08/2009  


FONTE: Ketchum

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.