Lições corporativas da pandemia do H1N1

Rose Pinheiro e Flávio Schmidt *


 


Após a declaração da OMS da primeira pandemia de gripe em 41 anos, é preciso compreender a responsabilidade da Comunicação Corporativa frente ao problema.


Como profissionais de comunicação, não podemos evitar que a gripe suína alcance as pessoas de nossas empresas, nossos clientes, já que se trata de um problema de saúde pública, das autoridades de vigilância sanitária, tanto no que diz respeito às medidas de saúde, no controle e no combate médico, quanto no que se refere à comunicação, com campanhas de informação de massa para orientação a toda a população.


Nós, como facilitadores da comunicação dirigida, somos responsáveis por reforçar as informações transmitidas pelas autoridades, a fim de tornar as pessoas individualmente mais bem informadas e conscientes dos riscos e cuidados que devem tomar.


Entretanto, a comunicação corporativa não é somente ponte de ligação entre a empresa e o seu público.Nãopara querer ensinar educação e higiene pessoal agora. Nempara criar situações como a compra e a distribuição de máscaras de proteção em empresas, fábricas ou na rua, escolas ou shoppings. Nesse momento, ela é instrumento da estratégia de negócios da empresa e deve trabalhar para garantir sua continuidade.


A comunicação corporativa deve se tornar elemento-chave envolvendo as áreas de Saúde, Médica, de Segurança, de Qualidade, de Recursos Humanos e de Planejamento Estratégico e utilizar suas informações para traçar planos de acordo com as definições de cada área. Com essas informações, deve definir um plano profissional de antecipação e prevenção de crises.


O profissional tem de avaliar cuidadosamente, sob o ponto de vista dessas áreas, quais são as ameaças e os riscos de seu negócio, classificando-os de acordo com sua natureza para desenhar os cenários possíveis e certificar-se de que a empresa está salvaguardada de todos eles.


Seu principal objetivo é oferecer recursos para transmitir confiança aos seus executivos, funcionários e demais grupos de relacionamento. A comunicação corporativa deve se posicionar com informação elevada para conscientizar sobre a importância de se proteger e não apenas para educar.


Também deve entender a busca acirrada entre governos e laboratórios para encontrar uma vacina contra a doença. Hoje existe tratamento, não prevenção. A Novartis, por exemplo, foi a primeira a se pronunciar, ela diz ter conseguido chegar a uma primeira versão da vacina e que o produto pode estar no mercado em setembro. O Instituto Butantã também informou ter capacidade para iniciar a produção em outubro, mas em pequena quantidade. a GlaxoSmithKline afirmou que estaria pronta emapenas algumas semanaspara iniciar uma produção em larga escala de vacinas. Por sua vez, a Sanofi-Aventis informou estar trabalhando em uma versão própria.


Entretanto, pelo menos por enquanto, ainda não existem vacinas contra o Influenza A porque esse vírus é capaz de sofrer alterações drásticas que resultam em um novo subtipo com alto potencial patogênico e contra o qual as pessoas não têm nenhuma imunidade prévia. Sempre que o organismo humano contrai o vírus, o sistema imune não é capaz de identificar essa nova variação e a pessoa contrai a gripe. Como se trata de uma infecção aguda, as consequências podem se fatais.


Com a ampliação dos casos a pandemia está confirmada e já começam a ocorrer casos bem próximos a nós, em empresas, escolas e residências. Por isso, a população inteira deve estar alerta muito mais agora do que antes.


A transmissão ocorre exatamente como o vírus da gripe comum e os cuidados são os mesmos, apenas com a diferença de que, como se trata de uma doença perigosa por não ter vacina compatível, as pessoas devem tomar cuidados adicionais para não intensificar o risco de contaminação, cuidando para não tossir ou espirrar na direção de alguém e protegendo o rosto, o nariz e a boca, para não deixar o vírus se espalhar no ar. É isso.


As autoridades estão tomando cuidados rigorosos de controle, entrevistando e examinando pessoas nessas circunstâncias e fazendo o combate à pandemia por meio de atendimento médico e até do isolamento de pessoas com suspeita de serem portadoras do vírus.


Nesse aspecto, temos de louvar as autoridades públicas de Saúde brasileiras, que vêm demonstrando completa e total responsabilidade com atitudes corretas e seguras, em especial quanto ao modo e nível de informação que passam à população.


Agora, cabe às empresas exercer seu papel de responsabilidade social na disseminação das informações entre seus públicos interno e externo e a comunicação corporativa deve atuar de forma efetiva no âmbito da empresa e junto a seus públicos estratégicos de modo a implementar programas preventivos de crise e evitar que esse problema alcance diretamente as pessoas ligadas ao seu negócio.


È a comunicação corporativa exercendo seu papel de responsável na continuidade de negócios da empresa e ajudado as proteger as pessoas envolvidas garantindo seu bem estar.


 


* Rose Pinheiro é diretora de Contas de Saúde e Flávio Schmidt é diretor de Comunicação Corporativa, na Ketchum Estratégia.


 


Fonte: Estado de São Paulo


FONTE: Abracom

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