Comunicação Corporativa mostra maturidade e avanços


Eduardo Ribeiro (*)


 


Encerrou-se na última sexta-feira (16/5) o 11º congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa com um saldo positivo não só pela bela audiência mas sobretudo pela qualidade técnica das apresentações e conferencistas convidados, como demonstraram os números da pesquisa produzida pela organização.


 


Mais de 700 profissionais de todo o País e também do exterior passaram pelo Centro de Convenções Rebouças nos três dias de congresso, num congraçamento importante para uma área que a cada dia ganha terreno e importância no âmbito das empresas e das organizações públicas e privadas.


 


O evento foi integralmente monitorado por uma equipe que tinha como coordenador Luiz Roberto Serrano, atual presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Comunicação Social – Sinco, e as participações de Carlos Carvalho, secretário-executivo da Associação Brasileira das Agências de Comunicação – Abracom, Cristina Vaz de Carvalho, editora regional deste Jornalistas&Cia no Rio de Janeiro, e a consultora independente Roseli Garcia.


 


O texto a seguir, também publicado na íntegra na versão impressa deste J&Cia, é de autoria de Serrano, feito com base nas próprias observações e nas da equipe por ele coordenada.


 


“Vivemos em cena aberta. Com essa expressão, inspirada na tradição teatral, Luiz Lara, presidente da LewLara/TBWA Propaganda, definiu, com rara felicidade, o ambiente de comunicação em que navegam empresas e instituições nestes tempos de notável expansão da mídia digital. Esse desafio, o de viver em cena aberta, esteve no coração de todas as políticas de empresas, cases, ferramentas e estudos teóricos apresentados durante os três dias do 11º Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, promovido na semana passada pela Mega Brasil, com o tema A Era Digital e a nova face da Comunicação. De tudo o se ouviu e discutiu, nas palestras apresentadas por agências de comunicação corporativa, profissionais, professores, jornalistas e relações públicas, uma conclusão foi inevitável: a comunicação deve fazer parte da estratégia de negócios das empresas e das políticas das instituições. As que ainda não perceberam essa inevitabilidade estão perdendo oportunidades ou ameaçadas de serem surpreendidas pela concorrência e pelo inesperado. Viver em cena aberta, sob o escrutínio permanente da platéia, é ter a alegria de ganhar aplausos, mas também correr o risco de ouvir desagradáveis vaias.


 


A Era Digital já está entre nós há tempos, mas avança a uma velocidade alucinante e impõe novas atitudes às empresas. Grandes corporações mundiais, especialmente aquelas cujos produtos e serviços têm sua imagem vinculada a comportamentos, navegam muito bem pelas novas mídias. Dominam o conceito de que comunicação na web não é uso de tecnologia, é relacionamento. Sabem que sites não devem ser passivos, funcionar como vitrines estáticas, mas têm que possibilitar que consumidores, clientes, fornecedores interajam com as empresas. Hoje, ferramentas de busca, como o Google e o Youtube, já viraram mídias propriamente ditas. Há técnicas para postar as mensagens de modo a facilitar o seu encontro rapidamente pelos navegadores. O relacionamento com a comunidade não é mais apenas com a vizinhança da empresa. Nos dias que correm, a comunidade ganhou a dimensão mundial da internet. Uma política desastrada com o bagre do rio vizinho pode ganhar severas críticas em uma conferência do Greenpeace em Paris – e de lá ganhar a mídia mundial.


 


E há o mundo dos blogs, o ilimitado mundo dos blogs, no qual qualquer mortal dá o seu palpite, elogia, critica, influencia outros, cria redes sociais, espaços de discussão e mobilização contra e a favor de empresas, instituições, governos. Nele, não funcionam as políticas de relacionamento com a mídia clássica, tradicional. Os interlocutores não são jornalistas que, teoricamente ao menos, trabalham dentro de certos parâmetros, operam com informações. São pessoas que dão opiniões, muitas opiniões, embasadas ou não.


 


Alguns dados a respeito, apresentados no Congresso:


 


20% dos internautas em todo o mundo visitaram mídias sociais nos últimos 30 dias


 


41% dos internautas brasileiros visitaram mídias sociais


 


70% dos internautas brasileiros acreditam nas mensagens da web


 


80% dos internautas esperam mudar atitudes das empresas ao postar críticas e comentários na web


 


22% dos blogueiros brasileiros querem colocar em discussão temas que a mídia não aborda


 


33% dos blogueiros recebem informações de assessorias


 


62% dos jornalistas dos EUA usam mídias sociais como fontes para matérias


 


Para navegar nesse novo, complexo e fluido universo de informações e opiniões sofisticam-se cada vez mais os instrumentos de medição e análise da repercussão das mensagens enviadas pelas empresas. Eles se tornam ferramentas estratégicas para a definição de políticas de comunicação corporativas. Não basta mais só acompanhar o que sai nas mídias tradicionais, o que já é um grande desafio. É preciso estar atento ao que circula entre blogs e mídias sociais, medir constantemente a reputação da empresa ou da instituição e agir ou reagir com rapidez. Importante, de todo modo, é ter a noção de que o mundo digital é mais um desafio, mais um espaço a ser trabalhado, que se soma ao relacionamento com a mídia tradicional, que está aí viva como nunca, ela mesma ocupando cada vez mais espaços na web, caminho obrigatório para a sobrevivência das empresas do setor – jornais, revistas, rádios e tevês.


 


Ficou claro no Congresso que sobre todo esse universo de ferramentas e atitudes deve sobrepor-se o maior dos instrumentos: a inteligência, a capacidade de propor estratégias, políticas e ações, a partir da análise das circunstâncias e da imagem da empresa em prol do fortalecimento de sua reputação e de seus negócios no mercado; ou em prol do fortalecimento e da reputação e da eficiência de instituições políticas e sociais. Inteligência – esse é o produto mais nobre que agências de comunicação, diretores de comunicação das empresas, jornalistas, relações públicas podem e devem oferecer aos seus clientes. É a inteligência que coloca a comunicação corporativa como parte da estratégia de negócios das empresas e das políticas das instituições.”


 


(*) É jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia “Fontes de Informação” e o livro “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”. Integra o Conselho Fiscal da Abracom – Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.


 


Fonte: Comunique-se


FONTE: Comunique-se

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