Veículos jornalísticos aumentam participação no site Second Life

Por Marianna Senderowicz, de Porto Alegre


 


Além de ter virado pauta na maioria dos veículos de imprensa do Brasil e do mundo, o Second Life agora também abriga veículos de informação de diferentes cantos do planeta. Agências de notícias, jornais, revistas e emissoras de rádio e TV aproveitam o boom metaversiano para lançar e divulgar produtos e serviços entre um público considerado bem informado e atento às novas tecnologias.


 


A Reuters foi umas das primeiras empresas jornalísticas a se aventurar no metaverso, nome do universo Second Lifeano. Por meio de uma agência construída especialmente para cobrir informações do portal, os usuários podem acessar notícias e informações referentes a tudo que acontece dentro desse mundo virtual. Mas o acesso à informação no site não se restringiu a essa iniciativa. A BBC e o periódico mexicano Excelsior também tomaram a dianteira em seus segmentos e lançaram produtos exclusivos, enquanto uma série de outros meios de comunicação começam a testar a aceitação dos usuários. Na versão brasileira do site o Estadão assumiu a produção do jornal oficial, que se chamará Metanews.


 


No Rio Grande do Sul, programas de rádio também estão aderindo à onda da internet em três dimensões. Depois da estréia do programa Sala de Redação, da Gaúcha, no dia 1º/6, é a vez do Band News Porto Alegre 1ª Edição, da Band News FM 99,3, participar do metaverso. Em princípio, a transmissão – simultânea à que vai ao ar no rádio – acontecerá apenas em 12/7, a fim de verificar a receptividade. Contudo, segundo o gerente de Eventos da rede, Carlos Totti, a probabilidade de dar continuidade à iniciativa é grande. “Já realizamos, uma vez por mês, as festas da rádio Ipanema no portal. Caso essa nova participação no site seja tão bem aceita quanto às da Ipanema, deveremos retomar a ação.”


 


Na estréia, avatares (como são chamados os personagens que participam do portal) dos apresentadores Felipe Vieira e Diego Casagrande se utilizarão de gestos para realizar o mesmo discurso dos comunicadores na vida real, além de exibirem comentários dos ouvintes em um telão montado especialmente para essa finalidade no cenário. Tudo acontecerá em uma ilha adquirida por uma desenvolvedora de softwares com a finalidade de sediar eventos de empresas gaúchas. O local conta com um auditório para 72 pessoas, salas de reunião e um saguão para lançamentos de produtos.


 


Após o programa, que vai ao ar das 9h às 10h, os comunicadores irão interagir com os participantes do Second Life durante meia hora. “É uma grande oportunidade para ampliarmos nossa interatividade no Band News Porto Alegre 1ª Edição, que, além de poder ser acompanhado por rádio, celular e MP3, já se comunica com o ouvinte por meio de telefone,  e-mail, msn e torpedo”, analisa Caco da Motta, coordenador de Radiojornalismo da Band RS.


 


De pauta à pauta


A explosão de veículos de informação na internet 3D tem despertado a atenção de jornalistas e internautas em geral. Apenas no Orkut, são 243 comunidades destinadas à discussão da novidade, entre as quais figuram algumas cujo tema é especificamente periódicos (Vip e Revista Second Life, por exemplo). Na opinião de André Pase, professor de Jornalismo on-line da PUCRS, o portal aponta para uma tendência: “Se o site veio para ficar ou não, o fato é que ele provou que os internautas estão querendo algo mais além do que já existia”. Ele apóia sua teoria nos números: em março deste ano, o Second Life já possuía 6 milhões de residentes, sendo que 440 mil eram brasileiros. A expectativa da Kaizen Games, responsável pelo portal, é que até abril do ano que vem esse número ultrapasse os 2 milhões.


 


Pase conta que a “segunda vida” já é assunto de sala de aula, e que as opiniões divergem. “Tem alunos que ainda não conseguem entender a proposta e sua dinâmica, enquanto outros enxergam mais um campo de trabalho, onde poderão divulgar produtos e serviços ou até mesmo atuar profissionalmente.” Para o professor, apesar das iniciativas da imprensa em criar veículos próprios para a internet tridimensional, o mais importante até agora é a possibilidade de estreitar o relacionamento com o público. “Um avatar repórter que convive pessoalmente com sua fonte tem a chance de captar melhor o que ela diz. É como se ele captasse um pouco da expressão daquela pessoa”, analisa.


 


O coordenador de Radiojornalismo da Band RS afirma que ainda não se pode garantir a eficácia da página como fonte de informação, mas pensa que já está comprovada sua relevância como ferramenta de interatividade. Por enquanto, a emissora não planeja investir financeiramente na empreitada, por não ter garantia de retorno. “Hoje o que vale é atuar por meio de parcerias, pois assim todo mundo sai ganhando”, avalia Motta.


 


Fonte: Comunique-se


FONTE: Comunique-se

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