Informação e Responsabilidade Social

Os veículos de comunicação, e especialmente a TV, têm grande poder na determinação de tendências, na criação de comportamentos, hábitos, atitudes e iniciativas nas sociedades modernas. Seu conteúdo é, pois, formador de cultura uma vez que molda fazeres, estabelece modismos, produz necessidades.  

 

Diante de tais pressupostos, a mídia não tem como ignorar que interfere profundamente nos valores desta ou daquela sociedade. Deixar, portanto, seu conteúdo, que sem dúvida influenciará a forma como vivem e como pensam os cidadãos, à mercê da voracidade das leis de mercado e dos índices de audiência e/ou leitura é uma leviandade. 

 

A responsabilidade dos envolvidos no processo de elaboração e divulgação de informações, se concordamos com as premissas anteriores, é enorme. Se o jornalista tem o dever de informar, precisa também ter o cuidado com as conseqüências desse ato. Quem sabe os caminhos e contornos que a informação tomará quando disseminada e absorvida pela consciência coletiva? Sua tarefa é, como podemos ver, árdua.  

 

Mas o profissional da mídia não carrega sozinho essa responsabilidade. Outros agentes do processo de comunicação, entre eles executivos e assessores de comunicação, devem entender como suas as mesmas preocupações e cuidados dos jornalistas com o teor do que tornam público. Ou seja, devem cuidar da qualidade da informação na origem. 

 

Em tempos de muita discussão sobre Fome Zero, Terceiro Setor e inclusão digital, entre outros temas, esse é, creio eu, um aspecto pouco lembrado da Responsabilidade Social. Para além das fronteiras de programas, planos e outras intenções em defesa da cidadania, reponsabilidade social é, também, não colocar a legítima busca pelo lucro e pela liderança do mercado acima do interesse global.  

 

A informação empresarial não é um jogo de esconde-esconde, onde uma organização revela o que quer, quando e como quer.  

 

Não podemos separar informação de desenvolvimento. A informação, portanto, deve transcender às regras da competição corporativa. As empresas, nesse sentido, precisam divulgar informações que atendam aos seus interesses comerciais e que, ao mesmo tempo, estejam a serviço da evolução profissional e cultural dos cidadãos.  

 

O fato gerado no ambiente empresarial deve ser relevante para o todo, e não movido pelo oportunismo de ocupar, na mídia, espaço gratuito. Deve servir ao mundo corporativo, com o desenvolvimento de negócios e crescimento das empresas, e à sociedade civil, com a geração de conhecimento.  

 

Importante ressaltar que a defesa da função social da informação não pretende impor barreiras à comunicação das empresas, mas a mídia não pode e não deve ser utilizada apenas com o intuito de fortalecer a marca, incrementar vendas ou estreitar o relacionamento com os clientes.  

 

Para atender apenas e tão-somente a objetivos promocionais existem alternativas como a publicidade, as publicações customizadas, o email marketing etc. A divulgação de mão única, cujo objetivo é apenas o de estimular a compra de produtos e/ou a utilização de serviços, não atende ao mandamento básico das corporações cidadãs. 

 

Na mesma medida, executivos e profissionais de comunicação empresarial precisam, de seu lado, ter cautela com o jornalista que quer informação a todo custo – e não a novidade relevante -, que busca o sensacionalismo, que não se preocupa com a veracidade das informações que publica e com os inevitáveis danos provocados pela sua atitude.  

 

Exemplo recente foi a entrevista do empresário e apresentador de TV Sílvio Santos à revista Contigo, onde declarou ter vendido a emissora SBT para a mexicana Televisa e que sua vida estava ameaçada por problemas graves de saúde. Tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto, desculpou-se Sílvio Santos após causar ruídos que fizeram oscilar até cotações de bolsas de valores. 

 

Esse episódio revela que fonte e mídia, ao tratar com irresponsabilidade a informação, desprezaram aqueles que lhes outorgaram o papel de protagonistas no mundo corporativo e da comunicação. E, com certeza, saíram com a sua reputação e credibilidade arranhadas. 

 

 

* José Luiz Schiavoni é um dos fundadores da S2 Comunicação Integrada e diretor de Expansão e Mobilização da Abracom ? Associação Brasileira das Agências de Comunicação 

 

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