Cenários da Comunicação Brasileira em Tempos de Crise Mundial

O tema que me foi proposto para este 6o. Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, "Cenários da Comunicação Brasileira em Tempos de Crise Mundial" tinha já indiscutível pertinência quando me foi apresentado, meses atrás. Infelizmente, ganhou ainda mais em pertinência e atualidade, a partir do desenrolar dos fatos internacionais, que tiveram como cenário a Guerra do Iraque.   

   

Haveria um sem número de reflexões possíveis, para os interesses diretos de um evento como este, que poderíamos trazer aqui à luz e abordar, a partir desse trágico conflito, em que o jornalismo e a mídia tiveram papel fundamental.    

   

Selecionei apenas uma.    

   

Ela diz respeito às imagens que vimos transmitidas pela televisão, mas que foram na verdade geradas a partir dos recursos e das plataformas digitais da Internet e da tecnologia wireless. Essas contêm, em minha opinião, mais do que uma mera curiosidade tecnológica, mas alguns símbolos e constatações: primeiro, que a tão propalada convergência das mídias acaba de dar mais um passo rumo a sua consolidação; segundo, que a mobilidade será uma característica extremamente relevante para todos nós que produzimos qualquer forma de comunicação, de hoje em diante; terceiro, que o papel da comunicação, num mundo como este em que vivemos, será cada vez mais participativo e atuante, indo um pouco mais além do que meramente informar.   

   

Graças a esses e tantos outros avanços tecnológicos, nunca o mundo esteve tão próximo e nunca a comunicação contemporânea foi mais global.    

   

Por estarmos vivendo essa nova ordem, em que o distante influencia diretamente o que nos é mais próximo e em que a comunicação se transforma numa gigantesca malha de influência e integração planetária, é que é importante dizer: nossos negócios, nossas empresas, a comunicação que produzimos e praticamos em nosso mercado estão e estarão cada vez mais sob a influência do que ocorre nos mercados internacionais, seja numa Bolsa de Valores em Manhattan, seja num distante deserto do Oriente Médio.   

   

No caso deste lamentável acontecimento no Iraque, só para ilustrar o que comentei agora, a Balança Comercial brasileira foi positivamente impactada pela Guerra.    

   

Nossas exportações de alimentos e bens de consumo básico cresceram consideravelmente em função do conflito. Uma triste conquista, em verdade, que se por um lado não nos faz, nem de longe, desejar as guerras, por outro, mostra como de fato somos todos hoje, na economia mundial, uma cadeia cujos elos talvez nunca tenham estado tão estreitamente ligados.   

   

Continua   


FONTE: Salles Neto, presidente do Grupo M&M

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