Cenários da Comunicação Brasileira em Tempos de Crise Mundial 2

A internacionalização 

 

A internacionalização das nossas vidas e dos nossos negócios não é, na verdade, fenômeno recente. A expansão do capital a partir dos grandes centros propulsores da economia mundial iniciou-se já nas primeiras décadas do século XX, mas ganhou sua expressão mais profunda e abrangente nos últimos 20 anos. 

 

Assim, todos nós, que produzimos informação e que lemos o noticiário cotidiano, temos sido testemunhas oculares de uma história cuja palavra-chave é exatamente essa, internacionalização. 

 

Há benefícios e há mazelas nesse processo de expansão do capital, mas o mais relevante é constatar que é ela a pedra de toque que tem definido os destinos das economias em todo o mundo, incluindo-se aí, evidentemente, a economia do nosso país. 

 

Temos sido um dos grandes focos e um dos grandes destinos desse capital desenvolvimentista. O Brasil é hoje uma das três mais cobiçadas nações do investimento direto estrangeiro internacional e é uma das que mais tem crescido nesse ranking. Temos hoje em nosso país as maiores montadoras mundiais da indústria automobilística, as maiores empresas do setor de alimentos e bebidas, os maiores conglomerados financeiros internacionais, algumas das maiores cadeias de lojas de varejo. A abertura de nossa economia a partir da década de 90 nos colocou definitivamente no cenário mundial, com as vantagens e novos desafios que essa nossa nova condição possam implicar. 

 

Temos também ? e isso afeta diretamente o interesse de todos nós, aqui reunidos – a presença no país dos maiores grupos da mídia e da comunicação mundial. 

 

Se observarmos três dos mais estratégicos setores que compõem a indústria da comunicação no Brasil, quais sejam, o dos veículos de comunicação, o das agências de propaganda e o dos anunciantes, teremos um universo relevante e emblemático para análise da internacionalização no nosso setor. 

 

Na atividade publicitária brasileira dominam hoje os grandes grupos multinacionais de origem norte-americana e européia, que representam a maior parte dos negócios do setor de agências de propaganda, segundo o levantamento Agências & Anunciantes, publicado pela Editora que dirijo e que, para nosso orgulho, é considerado o ranking oficial desse setor. Alguns dos aqui presentes certamente se recordam quando as multinacionais que figuravam dentre as maiores agências em operação no Brasil eram apenas as pioneiras que aqui chegaram nos anos 50, como a J.W.Thompson, a McCann-Erickson e, posteriormente, a Ogilvy and Mather. 

 

Há anos, no entanto, temos a presença dos grandes grupos de ponta da publicidade internacional atual, como BBDO, DDB, Saatchi & Saatchi, Publicis, TBWA, entre outros. Essa presença e esse convívio do setor de agências com o capital estrangeiro criou nos profissionais e nas estruturas das empresas da área uma cultura e um modelo de fazer negócios bastante integrados às práticas e conceitos globalizados modernos. Apesar disso, muitas dessas empresas conseguem hoje, com qualidade e inteligência, integrarem seu porte e presenças mundiais às características tão particulares de um grande mercado local como é o Brasil. Há algumas lições a extrairmos dessa experiência, sem dúvida: globalização, com respeito aos padrões locais. 

 

No centro do grande debate sobre a interdependência dos capitais nacionais e internacionais no nosso setor de comunicação, todos sabemos, está exatamente a questão de onde começa o respeito e a relevância da cultura local e onde termina a otimização de resultados promovida pela gestão global dos recursos e estratégias do marketing e da publicidade. Também para o setor da comunicação corporativa esta é uma discussão que se torna, a meu ver, mais e mais presente, já que também aqui os elos da cadeia mundial da economia estão e estarão mais e mais presentes.  

 

Continua 


FONTE: Salles Neto, presidente do grupo M&M

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