6º Congresso: ?Jornalismo é propaganda?

O professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, Manuel Chaparro, disse nesta terça-feira (08/04), em São Paulo, que não existe fronteira entre jornalismo e propaganda. ?Em qualquer entrevista, se faz propaganda?, afirmou, em sua apresentação no painel ?Como estruturar uma estratégia vitoriosa de relacionamento com a imprensa?, no 6o Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas. Chaparro fez uma ressalva: é preciso haver uma ?fronteira de intenções?, a identificação do profissional com o conteúdo jornalístico exigido por uma sociedade em busca de notícias que a transformem. ?Os efeitos se refletem na vida das pessoas?, explicou.



O acadêmico disse que a assessoria de imprensa deve almejar o desenvolvimento de três competências básicas: Semio-Narrativa (saber dizer), Discursiva (saber o que dizer) e Difusora (saber socializar). Para atingir o seu fim estratégico, a instituição precisaria lutar por uma meta difícil mas factível, em meio à revolução provocada pelos avanços tecnológicos: eliminar o intervalo entre o fato e a notícia. O painel teve outros três debatedores de expressão no universo da comunicação empresarial.



O assessor da presidência da Infraero, João José Forni ?  professor de jornalismo do Centro Universitário de Brasília -, sugeriu outros objetivos relevantes: a estrutura adequada para o atendimento; a geração de informações confiáveis, úteis e ?tempestivas?; a disponibilidade e o preparo das fontes; a articulação com outras instituições (discurso afinado); e o conceito ?vender notícia, não informação?.



O diretor de relações corporativas da Credicard, Marcelo Alonso, destacou a tática de ?não falar da empresa? para os jornalistas. ?Nós queremos ser referência de mercado?, diz. Mas como fazer isso sem uma divulgação direta dos produtos? A resposta está nas coletivas mensais que a empresa organiza para ?15 a 20 jornalistas?. São informações setoriais e estudos sócio-econômicos vinculados ao mercado de cartões de crédito. O resultado seria a afirmação da liderança, a referência e a credibilidade da corporação.



O publisher da Forbes Brasil, Aluizio Falcão Filho, disse que os jornalistas tendem a enxergar as empresas ?de forma deslumbrada?. Os repórteres acham ?glamuroso? o mundo dos negócios, ?bonito?, ?fantástico?. Falcão citou suas experiências para concluir: o dia-a-dia das empresas ?é cruel?. Muitos executivos são vaidosos e, para piorar, sempre encontram um culpado nos momentos de crise: a área de comunicação da empresa. A ?glamurização? do meio empresarial levaria os jornalistas a uma prática corriqueira e exagerada: buscar executivos para ilustrar os chamados ?perfis de sucesso?.



O jornalista disse que, no contato entre a mídia e as instituições, deve-se levar em conta outro aspecto do caráter humano das relações. ?Muitas vezes, o repórter não vai com a cara do assessor de imprensa; outras vezes, o presidente da empresa não vai com a cara da revista?. O publisher alertou para uma característica comum a muitos jornalistas: a arrogância. Ele sugere que as duas partes conversem sempre. ?Tem de haver um relacionamento sistemático, estamos falando de pessoas, fatores científicos não interferem?. 



Falcão conclamou os presentes a uma reflexão sobre a ética. Criticou o merchandising ostensivo de publicações como Caras e Vogue, e sentenciou: ?Ninguém reclama, as pessoas se desligam, não parecem preocupadas?.
FONTE: Comuniquese

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