Inteligência corporativa – Trata-se, agora, do topo da pirâmide

A competitividade ascendente dos mercados globalizados, aliada ao aumento vertiginoso da complexidade e do porte dos grupos empresariais, tem forçado os donos das companhias a compartilhar cada vez mais com os seus gestores o delineamento de estratégias corporativas e, mais importante, buscar soluções viáveis para o acompanhamento, em tempo real, das diferentes etapas de sua implementação.



Os sistemas tradicionais de gerenciamento, embora indispensáveis para cumprimento da legislação fiscal e confecção de demonstrações financeiras gerenciais, vêm se mostrando insuficientes para a crescente demanda da alta administração, no que tange à gestão frutífera do conhecimento. Investimentos dos conhecidos sistemas ERP (Enterprise Resource Planning), a exemplo do R3, da alemã SAP, e do Magnus da verde-amarela Datasul, foram de fundamental importância na década passada, quando grande parte empresas buscou construir um contexto mínimo favorável ao desenvolvimento de seus negócios. Estavam cuidando da base da pirâmide de seus sistemas de informação, ou seja, envidando esforços para preencher suas necessidades primárias no que se refere à tecnologia da informação.



Entretanto, até mesmo os mais fervorosos defensores da análise de performance puramente quantitativa têm aceitado paulatinamente a existência de importantes conhecimentos tácitos que permeiam a própria empresa e o mercado, e que são imperceptíveis aos olhos dessas ferramentas. Atentos à demanda crescente por sistemas de informação gerencial, que viabilizem a tomada de decisões baseadas em informações coletadas e processadas em tempo real, os investimentos voltam-se agora para as soluções de Inteligência Corporativa, ou seja, os chamados Business Intelligence Systems (BI), que contemplam diretamente a manutenção de informações precisas e seguras para suporte à tomada de decisão em níveis táticos e estratégicos, o que inclui, com importância crescente, os chamados dados qualitativos. Trata-se, agora, do topo da pirâmide.



E essa cronologia guarda coerência na evolução do uso das soluções de tecnologia das informações, pois seria claramente "passar o carro na frente dos bois" incorrer em dispêndios financeiros que se destinassem a investimentos em sistemas de Inteligência Corporativa, antes de ter implementado com sucesso soluções relacionadas aos processos internos da empresa, no nível operacional, ou seja, ter feito antes o "dever de casa". Não dá mais para esperar. A velocidade das mudanças externas, catapultadas pelo processo de globalização, que tem semeado um ambiente propício, tanto para a arbitragem financeira quanto tecnológica, delineia um cenário específico, onde as decisões on-line devem ser rotineiramente tomadas.



O gestor não pode mais se dar ao luxo de aguardar passivamente o levantamento de informações relevantes, tanto internas, quanto relacionadas à concorrência e ao mercado como um todo, que, não raro, encontram-se em reservatórios os mais variados, como planilhas, textos, papel impresso, recortes de jornal, dentre outros, isso quando não estão num lugar de acesso até mais complicado – na zona de memória dos cérebros de seus funcionários, onde nem mesmo o mais experiente "Analista de Sistemas Biológicos" pode ter acesso sem a devida permissão, ou pior, quando o "hard disk biológico" apresenta problemas insolúveis, não passíveis de formatação e volta de back-up.



Reconhecida a demanda premente e a movimentação esboçada por organizações reconhecidamente de vanguarda na maneira pioneira de se gerenciar, é possível concluir que também largarão na frente as empresas "seguidoras", tão logo incluam em seus orçamentos os investimentos necessários em tais sistemas de apoio às decisões (BI), ferramentas fundamentais no tratamento das informações necessárias para criar e manter uma vantagem sobre a concorrência. Em suma, sistemas capazes de armazenar dados quantitativos e qualitativos de maneira ordenada, de tratá-los de forma analítica e em tempo real, através de análises multidimensionais – reais e simuladas – visando a construção de um poderoso painel de controle, instrumento indispensável na materialização da estratégia corporativa nas ações diárias da empresa e que a conduzirá à sua visão.



*Guilherme C. V. Dornas é professor da Célula de Competência em Finanças, da Fundação Dom Cabral


FONTE: Valor Econômico

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