Nós, os “grilos falantes”

Quase tudo já foi dito sobre a importância das empresas se comunicarem com eficiência nestes tempos de presença avassaladora da mídia no mundo. Também já foi demonstrada à exaustão a importância da parceria com as agências de comunicação para as empresas ocuparem espaço na mídia.        

       

Mas pouco se fala sobre um aspecto altamente positivo que essa parceria pode oferecer para as empresas e que vai além da comunicação, embora se reflita integralmente nela. Vou chamá-lo informalmente de ?grilo falante?. Isso mesmo, o nome daquela figurinha que cochichava permanentemente no ouvido do Pinóquio, procurando mantê-lo no caminho da virtude.        

       

Empresas são organizações em busca de lucro, que agem em mercados e sociedades complexas. Produzem e vendem seus produtos, colocam sua imagem a favor desse esforço de vendas, relacionam-se com o mercado, a comunidade, as instituições. Tudo correrá bem se esse leque de ações desenvolver-se harmoniosamente e colaborar para o objetivo final e mais importante que é a geração dos lucros.        

       

O desafio está em construir e manter o tal desenvolvimento harmonioso. Empresas, principalmente as grandes, são organizações também complexas, hierarquizadas, com vários níveis de comando e operação. Todos os seus vetores podem trabalhar na mesma direção. Mas também podem gerar atritos, conflitos, perdas de sinergia que serão mais ou menos superáveis se se mantiverem nos limites da empresa.        

       

Mas, se escaparem desses limites, gerarão problemas que podem afetar o desempenho da empresa e, conseqüentemente seu lucro. O irônico dessa situação é que essa desarmonia pode ser provocada pela performance dos diversos departamentos da empresa na ânsia de atingir metas e resultados. Regras e normas, tanto internas quanto as que devem reger as relações externas, podem ser atropeladas. Quando isso ocorre, normalmente a empresa leva um tempo até detectar o erro ou o desvio. E, às vezes, quando descobre, o estrago já está feito, é tarde demais, o problema extrapola empresa e, pronto, está gerada uma crise ? com todos os prejuízos que ela costumar trazer.        

       

A função ?grilo falante? das agências de comunicação tem o objetivo de reduzir os riscos ao mínimo. Quando a agência acumula uma boa experiência sobre a vida das empresas, sobre o funcionamento das instituições da sociedade, do mercado e da mídia e tem um relacionamento estreito e de confiança com o alto comando do cliente, pode funcionar como um sensor para evitar problemas. Por ser um parceiro externo, a agência tem uma visão crítica do cliente, que muitas vezes não existe internamente, e um olhar neutro e imparcial sobre todos os seus departamentos, que lhe permite detectar potenciais problemas e ajudar a direção a evitá-los ou contorná-los. Mais do que isso, a agência pode ser um parceiro estratégico, municiando o cliente com informações e análises críticas que o ajudarão a definir linhas de atuação, até mesmo de mercado.        

       

Além de uma boa técnica e de uma equipe talentosa, a comunicação eficiente depende dos conteúdos por ela trabalhados. Um bom produto, uma idéia diferente, uma polêmica oportuna, uma ação politicamente correta resultam em comunicação bem sucedida, com ganhos de imagem para a empresa. Por isso, é importante que a agência acompanhe de perto a vida do cliente, conheça seus processos e esteja próxima das tomadas de decisão. Dessa forma, diminuem as chances de que a empresa se veja diante de problemas com o mundo externo e aumentam as possibilidades de que as mensagens divulgadas sejam positivas e repercutam intensamente a seu favor.        

      

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