Comunicação Corporativa passa ao largo da crise

A crise que se instalou no mercado editorial neste segundo semestre, provocando corte de mais de 700 vagas jornalísticas nos principais centros do País, não chegou sequer perto do mercado da comunicação corporativa, que continua forte, robusto e em fase de nítido crescimento.



Se pegarmos, por exemplo, o mercado das agências de Comunicação, o cenário é surpreendentemente promissor. Nenhuma delas, obviamente, revela estar nadando em dinheiro ou abre sua lucratividade, mas a verdade é que a cada semana multiplicam-se as notícias de agências que conquistaram novos clientes, de contratações no setor e mesmo de surgimento de novas agências.



Interessante notar que contas perdidas não são contas fechadas, já que há dentro do setor, a exemplo do que ocorre na publicidade (só que em grau menor), migração de clientes entre as agências. Ou seja, as contas muitas vezes saem da agência mas permanecem no mercado. Há, além disso, um volume muito grande e crescente dos chamados jobs, que representam hoje uma receita adicional interessante e estratégica para as agências – e que também absorvem um razoável contigente de profissionais especializados.



Esse segmento – mostram as estatísticas – praticamente dobrou de tamanho nos últimos três anos e só as quatro maiores do setor (CDN, In Press Porter Novelli, FSB e G&A) faturam, conjuntamente, algo ao redor de R$ 50 milhões por ano. E mesmo tendo dobrado de tamanho, tem ainda muito a crescer, caso consiga desenvolver uma ação setorial através da recém-criada Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), que poderá ser um instrumento decisivo no apoio à busca de novos mercados (área pública, por exemplo), e na consolidação de atuação em áreas estratégicas e rentáveis como a de propaganda institucional.



Só na área pública, que hoje limita-se a jogar praticamente 100% de sua verba de comunicação na publicidade (o que ocorre por vários fatores, entre eles a falta de conhecimento das áreas públicas sobre o que as agências de comunicação fazem e oferecem, e a própria ausência de uma representação mais efetiva das agências nessa esfera), estamos falando de alguns bilhões de dólares (eu disse dólares e não reais), volume que faz crescer os olhos do mais tímido e ingênuo cidadão, que dirá de quem está no mercado buscando crescer. É uma luta importante, justa e que certamente alavancará, como jamais visto, o mercado de comunicação corporativa e institucional no País, colaborando para gerar os empregos que hoje estão faltando nos veículos de comunicação.



De outro lado, quando olhamos o mercado da comunicação corporativa, pelo lado de dentro das grandes corporações, também vemos que, embora enxuto, ele continua estratégico e atraente. Só nas últimas semanas pelo menos cinco dos mais importantes nomes do setor mudaram de emprego ou de função. O mais experiente e renomado deles, Walter Nori, decidiu finalmente encerrar sua carreira do lado de dentro das fronteiras corporativas, abrindo mão do cobiçado cargo de vice-presidente de Comunicação Empresarial da Embraer, para – daqui a três meses e após merecido descanso – retomar a carreira como consultor, quando poderá colocar a serviço de várias organizações, a experiência adquirida, entre outras, na Volkswagen, Rhodia, Hill and Knowlton, Scania e na Embraer, onde esteve por dois anos.



Outro que mudou foi Renato Gasparetto Jr., que aceitou deixar o cargo de diretor de Comunicação Corporativa da Motorola, por um convite para assumir a Diretoria de Relações Institucionais da Telefônica, com responsabilidades sobre as áreas de eventos e patrocínios e também pela estratégia corporativa de relações institucionais e de relações públicas do Grupo no Brasil. Temos ainda Francisco Carvalho, diretor de Comunicação da Young & Rubicam, que está de mudança para o McDonalds, e na área de governo a transferência de Luiz Carlos Neto Aversa da Sabesp (a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para o Palácio dos Bandeirantes, para cuidar das áreas de marketing e propaganda do governo Alckminn, na equipe do Secretário de Comunicação, Luiz Salgado Ribeiro.


FONTE: Comuniquese

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