Comunicação Interna e o meio digital


Grupo de discussão sobre Comunicação Interna traz pesquisas acadêmicas para analisar as soluções usadas na área e o comportamento de participantes nas comunidades virtuais

Nesta terça-feira, dia 18 de outubro, o grupo da Abracom de Comunicação Interna presenciou duas apresentações de trabalhos acadêmicos. Os autores das pesquisas abordadas são Cláudio José Marcondes, da agência associada Brother Cast, e Ana Maria Pereira, Coordenadora de Comunicação da Abracom, que realizaram o curso de pós-graduação em Comunicação Digital na Universidade de São Paulo (USP).

Cláudio Marcondes apresentou o trabalho “O poder do gerenciamento das relações interpessoais digitais internas como estratégia corporativa”, onde critica o modo como a comunicação interna empresarial é preterida em relação à externa. O uso da Intranet como única tecnologia usada corporativamente e a visão comum de profissionais experientes que ainda vêem a Comunicação Interna como veículo RH são colocados como problemas a serem resolvidos. Por isso, Marcondes questiona se a alta gestão dessas empresas realmente entende o papel estratégico da C.I. e acusa a própria área de usar o percentual de não inclusivos digitalmente dentro da empresa como desculpa – esta parcela acaba “justificando” a demora nas implantações de inovações internamente.

O sócio da Brother Cast afirma que as próprias organizações não permitem que se leve essa comunicação para algo que o funcionário possa acessar fora da empresa, seus receios se resumem ao possível vazamento de informações. Ele ainda reflete sobre o fato de que o que foi divulgado pela Aberje em 2008 não corresponder com a atual situação da área – esta permanece sem destaque na maioria das empresas analisadas em sua pesquisa acadêmica. Segundo Marcondes, o grande problema da Comunicação Interna é ainda ser vista como custo, como não produtiva pelos gestores. Outro ponto crucial para se conseguir implementar novas soluções de comunicação dentro da empresa é se aliar à equipe de T.I. e, quando houver resistência para a disponibilização de pessoal deste departamento para deixar a comunicação externa e focar na interna, o certo seria terceirizar para evitar conflitos. A solução para o bom uso da tecnologia e da comunicação disponibilizada pela empresa é o treinamento constante dos colaboradores e diz: “É preciso dar espaço para o funcionário das novas ideias”. Por fim, afirma ser o Benchmarking uma boa decisão para a Comunicação Interna e que a área tem inovações e tecnologia à disposição, mas terá de criar métricas mais condizentes com a área – não é possível usar o ROI. A meta dos profissionais agora seria parar de reclamar de ser operacional e agir para a mudança deste quadro.

O trabalho apresentado por Ana Maria Pereira foi “O individualismo e a construção coletiva nas comunidades virtuais” – pesquisa realizada entre novembro de 2010 a abril de 2011. O objetivo do estudo era analisar se o individualismo ajuda ou atrapalha na construção da inteligência coletiva. A Coordenadora de Comunicação da Abracom baseou seu trabalho em três pilares: comunidades virtuais, inteligência coletiva e individualismo. No primeiro pilar, Ana Pereira se baseou nas teorias de Howard Rheingold e contextualizou a história da Internet desde de a plataforma militar original, a Arpanet. Sobre inteligência coletiva, a teoria usada foi a de Pierre Lévy, onde este afirma que ninguém sabe tudo, mas todos sabem algo. Ela ainda cruzou esta informação com a teoria de Derrick de Kerckhove, onde ele nomeia este fenômeno como “inteligência conectiva” e se diz mais prático do que o autor do livro Cibercultura. O terceiro pilar da pesquisa se trata das teorias de Bauman que tratam do distanciamento e dos relacionamentos frágeis que se constrói no ambiente virtual.

Com tais bases para seu trabalho acadêmico, Ana Maria Pereira analisou as mensagens do grupo de Relações Públicas Digitais da Abracom notando que, como principais tendências dos participantes, estes faziam muitas solicitações pessoais mesmo que, das mensagens, essas fossem as mais ignoradas. Já as mensagens relacionadas à cases e discussões propostas (situações do momento)  são mais vistas, respondidas e possuem maior índice de conhecimento acrescentado. E, a partir desta observação, pode-se chegar à conclusão de que o individualismo não impede a construção coletiva, mas atrapalha. O ato de ignorar mensagens individualistas acaba ensinando os participantes o modo correto de atuar nesses grupos e tende-se a firmar um padrão de prática dentro desta comunidade virtual.

O grupo de Comunicação Interna se reuniu 5 vezes este ano e agora possui grupos no Facebook sendo um apenas para associados da Abracom e outro para o mercado em geral. Participe você também enviano sugestões de assuntos e palestras via Facebook.

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