Digital Age 2.0 aborda relacionamento e redes sociais

A edição deste ano do Digital Age 2.0 foi realizada nos dias 28 e 29 de setembro, no Sheraton WTC Hotel, em São Paulo. Este foi o quinto ano do evento que, até então, abordava mais a perspectiva da publicidade e do marketing no mundo online e nas redes sociais. Contudo, os assuntos abordados neste ano conseguiram uma abrangência maior em relação as temáticas de PR (Public Relations) e de relacionamento online, mesmo com os assuntos serem, em sua maioria, ainda voltados para a Publicidade.

As críticas feitas ao uso do meio digital se tratavam de seu estado de excesso de informações, da subutilização que o Brasil tem da Internet, da alta concentração de ruídos na comunicação, da imprudência e falta de estudo prévio das empresas no uso das redes sociais. Mas apontar erros nada resolve sem sugestões e exemplos práticos bem sucedidos de soluções.

Steven Rosenbaum, CEO da Magnify.net, foi o primeiro palestrante e sugeriu a Curadoria como solução de filtro para tanto fluxo de informações. Rosenbaum indicou seu próprio livro, Curation Nation, como dica de leitura sobre o tema. Para ele, a busca está morta e a nova tendência seria a Curadoria, onde todos podemos ser editores e diminuir o ruído na rede.

Durante a maioria das palestras, a perspectiva sobre o relacionamento do Brasil com o mundo virtual foi abordada de diferentes maneiras. Fernando Taralli, presidente da Energy, polemizou o tema com sua opinião de que o país ainda subutiliza a Internet. Já Andy Jedynak, CEO da Poptent.net, afirma estar bastante otimista em relação ao uso da web pelos brasileiros e, durante o evento, foi informado que o Brasil é o país cujo uso de tablets mais cresce.

Destaque para a conferência com Jane McGonigal, visionária futurista criadora de jogos sociais, cuja temática foram as sensações boas de criatividade, curiosidade e engajamento que os games são capazes de criar em seus jogadores. McGonigal mostrou também o Evoke, jogo encomendado pelo Banco Mundial e lançado na África do Sul. Trata-se de empreendedorismo, no Evoke o usuário cria empresas e conhece formas de melhorar as situações graves da África como fome e falta de água. O resultado foi surpreendente com a criação de empresas reais por parte dos jogadores. Uma novidade foi compartilhada com a plateia: um jogo parecido com o Evoke, mas mais adequado à realidade brasileira, será lançado em breve no país.

Um case da FSB PR Digital foi apresentado por sua diretora-executiva, Risoletta Miranda, o mesmo que ganhou o prêmio de Cannes – o primeiro que o Brasil presencia na área de PR 2.0. A FSB foi chamada a auxiliar o governo da cidade do Rio de Janeiro a conquistar uma maior cooperação dos cidadãos que apresentavam seu descontentamento pelas redes sociais, a cidade estava sob clima caótico com criminosos incendiando ônibus, além de outros atos de vandalismo. Tomando parte num movimento pré-existente chamado Paz no Rio, que já circulava pelas redes, a FSB conseguiu levar informações para os cidadãos. Estes acabaram por se engajar e apoiar a instituição pública no combate à violência.

Para discutir a situação do PR Digital, houve a mesa PR 2.0, a comunicação corporativa em busca dos resultados com Eduardo Vieira, sócio-diretor da Agência Ideal, Marcio Cavalieri, diretor financeiro da Abracom, a própria Risoletta Miranda e a mediação ficou para Mauro Segura, diretor de Marketing e Comunicação da IBM Brasil. Cavalieri afirmou que é preciso deixar os “puxadinhos” que as empresas efetuam para resolver o lado de PR e defendeu o uso de vários tipos profissionais para melhorar a eficiência de uma agência. A mesa entrou em consenso quanto à necessidade de um planejamento longo e detalhado antes da entrada de uma empresa nas redes sociais.

O Digital Age 2.0 deste ano trouxe bastantes vozes ainda relacionadas a publicidade no meio digital, mas todos os assuntos abordados convergiram para a busca de uma utilização eficiente da Web 2.0 e, principalmente, das redes sociais. Os perigos e práticas bem sucedidas foram mostrados, agora nos resta observar como as empresas no Brasil utilizarão este conflituoso e vasto meio de comunicação que é a Internet.

Vanessa Magdaleno Vieira

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