Jornalistas e escritores avaliam futuro da imprensa

Balala Campos


Laurentino Gomes, Ricardo Kostcho, Zuenir Ventura, Caco Barcellos e Maurício de Souza foram alguns dos nomes convidados pelo Congresso Mega Brasil de Comunicação 2011, para participar dos encontros com Jornalistas Escritores, painel inédito no evento, que ocorreu em São Paulo, de 24 a 27 de maio, focalizando as principais tendências da comunicação no Brasil e também na Europa, Estados Unidos e Ásia. Esta edição enfatizou mídias sociais, comunicação pública, crise em empresas, com vários cases de sucesso, na qual a gestão da comunicação foi fundamental. O encontro com Jornalistas Escritores revelou-se um sucesso muito prestigiado pelo público. Estiveram presentes centenas de profissionais de comunicação de todo o país, que ouviram atentamente as exposições dos convidados sobre suas visões da comunicação hoje.


Entre as curiosidades, Maurício de Souza, hoje presente em mais de 30 países com suas histórias infantis, revelou que o fato de ter sido jornalista na Folha de S. Paulo (repórter policial) fez com que tivesse aprendido a escrever com concisão. Do contrário, não poderia escrever nos pequenos balões das suas revistas e seria somente desenhista.


Caco Barcellos, gaúcho que é um dos principais repórteres brasileiros, revelou que “o ato de escrever livros é um processo solitário, sofrido e difícil e que suas obras, entre elas Rota 66 e Abusado, nasceram sempre de grandes reportagens e de seu gosto pelo jornalismo investigativo. “Gosto de rua, de fazer reportagem, de aventuras, de aprender com as outras pessoas”, afirmou.


Zuenir Ventura, que confessou ter feito livros por encomenda, enfatizou a diferença de livros escritos por jornalistas. “A história contada por um historiador começa no início. Tem nascimento, datas, cronologia. Eu, às vezes, começo o livro pelo fim, sou caótico, desorganizado.”


Dentro desta vertente histórica, Laurentino Gomes, autor de grandes sucessos como 1808 e 1822, já iniciando 1889, revelou ter um grande plano de marketing para cada um de seus livros e utiliza muito as mídias sociais para se comunicar com seus leitores. Trabalha 24 horas por dia para manter-se no topo dos mais vendidos. Responde pessoalmente seu facebook, twitter, blog , tem assessoria de imprensa , já deu mais de 300 palestras e monitora com uma equipe as principais livrarias  do país para ver como estão tratando seus livros.


Ricardo Kotscho, um dos principais jornalistas do país, autor de 20 livros, disse que “o principal para tudo é a paixão. Trabalho de manhã, de tarde e à noite”, afirmou. Na análise sobre a sobrevivência da imprensa escrita diante da invasão da mídia digital, foi radical: “A fragilidade da imprensa nos formatos convencionais não é devido à presença crescente da internet. Ela está se suicidando. Os jornais e as revistas estão abdicando da sua função de aprofundar os temas, as informações. Erroneamente, estão tentando competir com a internet e estão ficando superficiais. A imprensa tem que se reinventar e ter uma história para contar o que as outras mídias não têm. Precisa contá-la de uma forma diferente”, sentencia.


Zuenir Ventura não acredita que os jornais vão acabar. “Cada nova tecnologia traz um aprofundamento da anterior. Acredito na convivência de várias mídias”. E Laurentino Gomes adverte: “Os formatos estão mudando, mas o conteúdo bom é cada vez mais raro e necessário. O leitor reconhece o bom jornalismo. Existe um tsunami de informações. Ajudar as pessoas a sobreviver a ele é o papel dos jornalistas editores”.


 

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