Mudei, e agora? Conheça casos de quem saiu da redação e partiu para assessoria

20, 15 e 12 anos. Esse foi o tempo que eles atuaram nas redações de jornais impressos e decidiram partir para o “outro lado do balcão”, a assessoria de imprensa. Maristela Mafei, diretora da Máquina da Notícia; Sérgio Pugliese, diretor da Approach; e Andrew Greenlees, vice-presidente da CDN, falam sobre a transição de uma área para a outra.


 


Maristela trabalhou na Folha de S. Paulo, revista Globo Rural, Rádio e TV Cultura, Rádio América e no Departamento de Pesquisas da Rede Globo. A jornalista decidiu criar uma assessoria quando notou uma gra nde abertura no mercado brasileiro.


 


Oportunidade


“O momento que o país vivia; com as privatizações e o novo Codigo de Defesa do Consumidor eu vi que surgiu um enorme campo de trabalho nas grandes corporações. Surgiram novas demandas no sentido de profissionalizar a relação das empresas com a imprensa e todos os seus públicos. O país exigia transparência, prestação de contas, postura pro-ativa e esse momento histórico, em meados da década de 90, permitiu a abertura de várias empresas do setor“.


 


Preconceito


Maristela confessa que tinha um certo preconceito com assessoria, mas que quebrou o tabu. “Eu mesmo tinha preconceito quando estava do outro lado. Via com naturalidade essa postura de descrédito inicial vindo de alguns profissionais em específico, mas o nosso trabalho e determinação não deixou dúvidas sobre os desafios e o prazer de se trabalhar com a informação do ponto de vista das empresas”.


 


Qualidade de vida


A jornalista compara as duas áreas e diz que a qualidade de vida é sempre boa para quem faz o que gosta. “Eu sempre fiz e faço o que gosto, o que brilha os olhos. Adorava redação e agora estar em uma agência de comunicação. Não faço distinção entre trabalho e “qualidade de vida”, para mim trabalhar no que gosto é a melhor qualidade de vida que posso ter.


 


rgio Pugliese, sócio da Approach, decidiu partir para assessoria após 15 anos no impresso, em veículos como Jornal do Brasil, O Dia e O Globo. Durante sua carreira nas redações, ganhou dois Prêmios Esso. O jornalista conheceu o trabalho de assessoria de perto enquanto namorava Beth Garcia, fundadora da Approach. “Eu via ela trabalhando em casa e recusando clientes porque tinha pouca estrutura. Aí eu disse vou pedir demissão. Já estava cheio da rotina de redação, apesar de gostar muito do pes soal de lá”.


 


Vontade de fazer a diferença


Além de querer mudar sua rotina, Pugliese notava muitos problemas nas assessorias e queria inovar. “Via releases ruins, problemas nas assessorias, que não eram especializadas em nada. Aqui na Approach cada gerente é especializado em sua área. A assessoria aqui é como uma redação, cada núcleo é especializado”, afirma.


 


“Vários amigos foram contra”


O jornalista conta que sofreu preconceito ao anunciar que deixaria a redação. “Vários amigos foram contra. Eu não tenho dúvida que foi a melhor decisão. E tive sangue frio pra aguentar as propostas que recebi depois”.


 


“Trabalho na mesma intensidade ou até mais”


Para que m pensa que assessoria é vida mansa, Pugliese alerta que não. “Eu trabalho na mesma intensidade ou até mais. Também trabalho em final de semana. Tem escala, é mais flexível, mas têm as cobranças dos clientes, que é como se fossem os editores do jornal. Aqui eu trabalho com gestão de crise, então não tem horário pra ser chamado. Porém, a flexibilidade é maior que na redação”.


 


Andrew Greenless foi editor de política e correspondente da Folha de S. Paulo, em Washington (Estados Unidos). Trabalhou em assessoria de comunicação na Câmara dos Deputados e na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. Atualmente, também é diretor de Assuntos Institucionais da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom).


 


Experiência da redação na assessoria


O jornalista sempre teve vontade de trabalhar na área e começou na comunicação política. “Saí da Redação em 1996 e fui trabalhar em comunicação política, porque eu cobri essa área por 12 anos. Depois fui para comunicação corporativa. Fui para a CDN para montar uma área de política, mas acabei lidand o mais com a comunicação corporativa, a comunicação geral”, conta.


 


Para ele, jornalistas e assessores já sabem se relacionar e derrubaram o preconceito. “Hoje as redações conhecem melhor o trabalho de comunicação corporativa. Existem bons profissionais, que sabem como se relacionar com a imprensa e como tratar de temas sensíveis. Eu nunca senti preconceito. Acho que os dois lados aprenderam a se relacionar“.


 


Dinheiro fácil é mito


Greenless também alerta os que esperam trabalhar menos e ganhar muito mais na comunicação corporativa. “Essa história de que em comunicação corporativa é trabalhar pouco e ficar rico é mito. As duas áreas têm seus momentos difíceis, de pressão. Quem pensar que é trabalhar pouco e ganhar muito vai se frustrar“, conclui.


Fonte: Comunique-se

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