Ponto de vista

Por Marcos André Borges


 


Recentemente recebi um email criticando os investimentos em comunicação corporativa do Governo Federal, fruto de uma licitação feita pela Secom – Secretaria de Comunicação do Governo.  O que deveria ser uma crítica, para nós – que somos especialistas da área – o texto em é uma demonstração de um competente trabalho em prol da imagem institucional do País e, conseqüentemente, do seu Presidente.  Para as empresas que investem em comunicação corporativa essa crítica só servirá para comprovar que quem aposta nessa área só tem a ganhar! O trecho, do email em referência, que transcrevo a seguir, reforça o que digo. “Mas os resultados foram simplesmente espetaculares. Em 2009, Lula concedeu 114 entrevistas, das quais 43 exclusivas para as maiores redes de comunicação internacionais e para os maiores jornais e revistas, oferecidas tanto no Brasil quanto no exterior. Frente a tudo isso, fica fácil entender à razão pela qual o premiadíssimo Lula, no ano da grande crise, saiu-se melhor do que o Brasil, em termos de imagem internacional. Um dos países que mais incensaram Lula foram os Estados Unidos da América, onde Obama o chamou de “meu cara”. A Espanha, cujo maior jornal elegeu o presidente brasileiro Homem do Ano, assim como a França, onde o periódico mais importante escolheu Lula como o personagem de 2009. E também teve a Inglaterra, onde o Financial Times identificou o brasileiro como um dos líderes que moldaram a década”.


 


Veja que mesmo na crise, a imagem do País não se abalou. É óbvio que isso ocorreu graças a outras ações, principalmente, na área econômica, iniciativas de gestões anteriores, além da conjuntura mundial favorável ao País. Mas, certamente, a comunicação teve (e tem) um papel preponderante na construção desse cenário favorável! Agora, querer atribuir o déficit comercial com alguns países ao competente trabalho de comunicação é desconhecimento ou fisiologismo político/partidário puro!  Lá na frente o texto diz o seguinte: “… O que o Brasil ganhou com isso? Os Estados Unidos compraram 45% menos produtos e serviços brasileiros no ano que passou. A Espanha reduziu as suas compras em 34%. A França importou menos 33%. E a Inglaterra cortou em 9% as compras do Brasil. O resultado final é que os países que transformaram Lula em sucesso global compraram U$ 15 bilhões a menos em 2009”.  O  fato  é que em 2009, o comércio exterior brasileiro registrou uma forte queda de 24,3% sobre 2008. Ou seja, a corrente de comércio do Brasil com o resto do mundo (exportações+importações) foi de US$ 281 bilhões (em 2009), ante US$ 371 bilhões em 2008. Essa retração foi conseqüência da crise financeira internacional, que levou a uma redução generalizada da demanda mundial por bens e serviços, contribuído para uma forte desvalorização nos preços internacionais de commodities agrícolas e minerais. Mas nunca em função de uma divulgação “exagerada” das potencialidades do Brasil.


 


Alguns criticam, igualmente, o investimento em publicidade, tão legítimo quanto, e que massifica a imagem da atual gestão e conquista, naturalmente, a simpatia da população. Qual o mal nisso? Sem falar do investimento em comunicação e publicidade no exterior contribui para consolidar o Brasil como destino turístico e captar empresas para investirem no nosso País. O que também considero muito legítimo. Aqui não entro no mérito se o Lula se aproveita de forma exacerbada ou não desses investimentos, e sim sobre a legitimidade de empresas, sejam públicas ou privadas, investirem em comunicação corporativa, propaganda e publicidade. Isso até como forma de prestar contas à opinião pública do que está sendo feito com o dinheiro arrecadado pelos impostos pagos pelos cidadãos.  Ademais, ele é o maior “gestor da conta” e tem todo o direito de ser o porta-voz dos resultados. Ninguém (nem jornalistas, nem publicitários) deve gerar notícias ou anúncios sem informações verdadeiras. A nossa matéria prima é a informação precisa, correta, que gere interesse do público. O errado seria uma empresa de comunicação criar uma imagem inexistente e mentirosa de qualquer instituição que seja. Isso, sim, seria gravíssimo! Mas aí já seria uma discussão do ponto de vista ético.


 


Marcos André Borges é jornalista, consultor em comunicação, Diretor da VSM Comunicação e Diretor do Nordeste do Sinco- Sindicato Nacional das Empresas de Comunicação Social.


 


FONTE: Abracom

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