Fim da crise desafia agências a novos formatos de serviço


Fernando Castilho*


 


O Brasil  virou sede da Olimpíada de 2016, começou a encaminhar os projetos da Copa  2014 e consolidou a saída da crise global. Neste contexto, é importante abrir um debate no setor de prestação de serviços de Comunicação Corporativa sobre que produtos as agências podem oferecer ao mercado, aproveitando euforia que começa a tomar conta dos diversos setores da economia brasileira.



Acredito, como destinatário das pautas geradas pelas  assessorias, que esta é uma boa hora para uma conversa dura com as equipes e, a seguir, com o cliente para saber que tipo de serviços o mercado pós-crise demanda. Pela simples constatação que a grande lição de 2009 para 2010 foi a readequação da empresa ao mercado, com mais rigor nos controles internos e mais foco nos seus clientes.


 


Acho importante observar que existe um comportamento nas agências: o dono faz um excelente trabalho na captação e em seguida, quase automaticamente, entrega a empresa contratante a  um funcionário para o atendimento diário e fica passando lá uma vez por mês, para tomar um cafezinho com cliente e conversar sobre abobrinhas sobre o cenário econômico.


 


Sempre se disse que a agência tem que conhecer o mercado para ajudar o cliente na tomada de decisões. Não é uma verdade na prática. A julgar pelo nível de informações periféricas que as empresas oferecem aos jornalistas isso é uma falácia. Salvo as exceções, poucos empresários do setor de Comunicação têm capacidade conversar em igualdade de condições com seu cliente. Pelo simples fato dele não mergulhar no negócio do cliente. E ele fica mais longe à medida que a sua empresa cresce. Não sei se isso a partir da revisão de processo das empresas com a crise será suficiente. Na verdade, acho que não.


 


Jornalistas que atendem as empresas têm o dever de  sentar-se à mesa de reunião como igual ao cliente em nível de informações  de mercado. Mas só conseguirão isso se se aprofundarem. O empresário, assim como o jornalista na redação, não deseja mais uma nota “a favor”.


 


Ele quer saber como sua empresa está no mercado, que cenários ela traça e para onde o ramo em que atua está caminhando. E quer ouvir isso de alguém de fora. Não tenho receio em dizer que, depois da crise, o empresário está precificado cada real que paga a uma agência.


 


Isso é um enorme desafio, mas pode ser uma porta para novos serviços.


 


Por força da profissão vejo que está na Internet uma das melhores portas de ampliação dos serviços de uma agência. O desafio é que a agência tem que primeiro conhecer o meio internet.


Não é fácil. Até hoje, poucas agências de publicidade no Nordeste se aprofundaram nisso. De comunicação…


 


No mais, a receita é a construção de uma site bonitinho, com umas notícias, um e-mail de relacionamento que entra na grade do que os próprios funcionários da empresa usam internamente, a transcrição do informativo a empresa e um clipping virtual.


 


O que me chama atenção, como destinatário dessas notícias,  é como os serviços de agências não mergulharam na Web. Penso, e tenho dito isso em palestras, que uma tendência de que de futuro na Internet será uma espécie de “You Tube Empresarial” onde o vídeo vai apresentar a empresa, a cara de seus dirigentes falando de suas ideias e posturas  e seu modo de ação. Não acontece ainda pela dificuldade de acessos à banda larga. Mas isso em breve vai ser resolvido.


 


E é aí que um novo mercado se abre. O desafio é o de por a empresa naquilo que poderíamos chamar de webtv 2.0 para assessoria de imprensa. Isso é difícil pois todos viemos da mídia impressa.


 


Mas pensem como os nossos filhos menores de 15 anos interagem hoje com a Internet. Primeiro, eles vêm o vídeo, depois o som só depois o texto. Penso que o caminho da Web 2.0 é esse mesmo. Nós não vamos deixar de ter na Internet o texto, mas precisamos ter mais o  som e muito mais o vídeo.


 


Agora pensem, como formuladores de novos serviços, o que vocês vão ter treinar os clientes para isso?


 


Deixo com vocês a viagem de que tipo de serviços a empresa de vocês pode oferecer para o cliente e todo seu staff. Pensem no potencial de mercado e no desafio que será por os seus clientes na Internet. Falo de novos sites a mídia training para executivos e dirigentes focados na Web. Pensem nos serviços que a agência de comunicação pode gerar para colocar o cliente de forma profissional e bem posicionada numa mídia que só tende a crescer. Até porque um vídeo deverá vir acompanhado de um texto transcrito.


 


Mas isso será tarefa de  vocês. Eu só apenas o  sujeito que, algum dia, espera  receber um arquivo de texto dizendo que, em anexo, um empresário tem uma boa notícia para me comunicar. E que junto desse arquivo está a transcrição.


 


Para mim, se ele for exclusivo, será a oportunidade de afirmar no meu veículo que aquele empresário me disse isso. Não veio de release asséptico e inodoro de uma agência, muito embora ela esteja por trás. Alguém já pensou na credibilidade que isso dará a informação gerada pela empresa de comunicação?


 


Pensem nisso. Mas não se esqueçam:  primeiro é preciso ter capacidade intelectual de conversar como cliente, como igual.


  


*Fernando Castilho é colunista do Jornal do Commercio, de Recife, Pernambuco.


FONTE: abracom

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