O assessor de imprensa virou espião?

Rodrigo Capella*


 


Teóricos costumam definir o ambiente como o conjunto de fatores e elementos que, em sinergia, constituem, formam ou alteram uma realidade. Este contexto pode ser subdividido, na maioria das vezes, em “ecológico”, que se refere aos espaços verdes; “escolar’, relacionado aos professores, funcionários e alunos de instituições de ensino e entidades; “turma”, que integra, de certa forma, o nosso cotidiano ao de outras pessoas; e “particular’, no qual estamos, aparentemente, sozinhos ou em contato com pessoas de extrema confiança.


É justamente nesse último ambiente onde o perigo costuma ocorrer com mais frequência e surpreender os interlocutores. Exemplos recentes mostram que todo cuidado é pouco e que comentários devem ser evitados. No Brasil, o maestro e ex-diretor da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, John Neschling, criticou, em reunião fechada, o governador José Serra. O som da conversa foi gravado e posteriormente divulgado pela mídia. Resultado: Neschling foi demitido.  


Muitos outros casos poderiam ser citados aqui para comprovar que o mundo está totalmente interconectado e que “proteção” e “unanimidade” já não fazem mais parte de nosso dicionário. É preciso, portanto, ter uma transparência clara e pensar duas vezes antes de se comentar ou julgar algo.


 


 


Reputação e Produção


Afinal, a reputação é o bem mais valioso de uma empresa, pessoa ou entidade. Se ela se desgasta, um tragédia pode ser iniciada em poucos segundos. Pesquisa realizada, recentemente, pela assessoria de imprensa Textual, com 124 jornalistas de nove Estados brasileiros, mostra que a maioria dos comunicadores (35%) avalia se a empresa é bem quista levando em conta o quê e como ela produz.


O “produzir” neste caso se refere a conteúdo e matérias-primas, em alguns casos. O mesmo estudo constatou que, em um período de crise, a empresa, para ter boa reputação, precisa, para 53% dos entrevistados, ter transparência na comunicação das medidas de redução de custos.


Esses dados comprovam que os jornalistas – definidos por Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, como “chatos, já que perguntam o que as pessoas não querem e investigam o que quase ninguém investiga”- estão cada vez mais interessados e conectados com os diversos ambientes. Qualquer deslize, mesmo pequeno, pode ter proporções catastróficas. 


 


 


Nova Tendência e listening post


De olho nesta nova tendência de mercado – a do monitoramento de ambientes – e levando em conta o que gosta de repetir o diretor da Fiat, Marco Antonio Lage – “investir em comunicação é primordial para reverter os ambientes negativos”-, as assessorias de comunicação já demonstram uma preocupação em mapear os ambientes, sejam eles virtuais ou reais.


Nos Estados Unidos, a prática é chamada de listening post e tem objetivos diversos, mas, na maioria das vezes, associados à tarefa de checar e conferir se a comunicação da empresa está sendo compreendida de forma clara, objetiva e transparente pelo público.


O grande foco é o ambiente público e as grandes aglomerações, indo além do monitoramento das social medias (twitter, facebook, blog, listal, delicius, Orkut, You Tube e MySpace, entre tantas outras). Nesse contexto, vale investigar desde uma roda de amigos de um parque até uma conversa de elevador, passando por congressos, eventos e workshops.


Vale, realmente, tudo. E o comunicador precisa se preparar. É o Marketing e as Relações Públicas cada vez mais misturados e com as fronteiras escassas e invisíveis! Seria o surgimento do assessor de imprensa espião?


 


(*) Rodrigo Capella é assessor de imprensa desde 2002. Formado em Jornalismo pela Umesp, é pós-graduado em jornalismo institucional pela PUC-SP. Autor de vários livros, entre eles “Assessor de Imprensa – fonte qualificada para uma boa notícia”.


  


Fonte: Observatório da Imprensa – mídia & marketing 


FONTE: Observatório da Imprensa

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