Jornalismo cidadão é discutido em encontro

A diretora do Comitê de Responsabilidade Social da ANJ, Clarice López de Alda, fará uma palestra sobre as relações entre a comunicação e a cidadania. Evento será na próxima terça-feira, 26



Após os recentes debates sobre a Lei de Imprensa e a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, a formação dos profissionais que trabalham com comunicação volta ao centro das discussões no Encontro Comunicação e Cidadania, promovido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC). Dessa vez, a lacuna que existe nos currículos das universidades em relação ao quesito cidadania e a importância de formar profissionais comprometidos com a sociedade são alguns dos temas da conversa. A mesa-redonda, que comemora os dois anos do projeto social Atitude Cidadã, será realizada no auditório do SJCC, na próxima terça-feira (26).



A diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Clarice López de Alda, principal palestrante do evento, defende uma mudança na estrutura da grade curricular dos cursos de comunicação. “Hoje em dia o estudante sai da faculdade sem uma aula sequer sobre jornalismo cidadão e responsabilidade social”, reclama. “É fundamental formarmos profissionais comprometidos com a cidadania, pois eles terão consciência de que não se deve fazer jornalismo a qualquer preço. Eles adquirem um olhar diferente, uma noção do que realmente interessa ao público”, completa Clarice.

A jornalista Ana Aragão, da Signo Comunicação, concorda com a diretora. “É preciso acrescentar no curso de comunicação disciplinas voltadas para questões de cidadania, sustentabilidade e ética. Na faculdade, geralmente se estuda o lado ético do jornalismo, de ouvir os dois lados. Mas é necessário abordar o tema de uma maneira mais ampliada, aprofundar a ética das relações”, diz. “Os jornalistas têm que saber como fazer um jornalismo cidadão, engajado, integrado com as necessidades da comunidade”, continua.

Ana participa do evento como representante das assessorias de imprensa. Para ela, o caminho para a mudança de postura já está sendo traçado. “Aos poucos estamos mudando essa realidade, uns mais e outros menos. O próprio projeto Atitude Cidadã é um exemplo disso. É uma gota no oceano ainda, mas já é alguma coisa”, afirma. “Estamos no rumo para mudanças de atitude importantes, mas o estudo dessas questões ainda na faculdade ajudaria a acelerar o processo”, acredita Ana.

Além da formação em comunicação, a palestra de Clarice López de Alda vai abordar itens como o que é cidadania e comunicação, o papel da empresa de comunicação na construção da cidadania e o papel do jornalismo do futuro. “Vou mostrar pesquisas da Universidade de Navarra, na Espanha, e de alguns institutos que indicam o tipo de cobertura jornalística que ainda está presente hoje e o que está por vir”, avisa Clarice.

Outro ponto discutido pela palestrante será a relação entre empresas de comunicação e cidadania. Segundo ela, existem três formas de ação que são utilizadas mais comumente pelas empresas: a questão jornalística e editorial, que envolve o jornalismo cidadão propriamente dito, a escolha do que vai ser divulgado, o posicionamento institucional, que diz respeito às bandeiras defendidas pela empresa, e o investimento social privado, que são os projetos sociais realizados.

O Encontro Comunicação e Cidadania começa às 14h e é voltado para estudantes e profissionais de comunicação. Além de Clarice López de Alda e Ana Aragão, participam do debate o diretor de redação do Jornal do Commercio, Ivanildo Sampaio, a diretora de jornalismo da TV Jornal, Beatriz Ivo, a editora-assistente do JC Online, Julliana de Melo, a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Ivana Fechine, e o vice-presidente do capítulo Pernambuco da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap-PE), Giovanni di Carli.


 


Fonte: Jornal do Commercio – 24/05/2009


FONTE: Jornal do Commercio

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