De olho no futuro: comunicadores que investem na carreira

Christina Lima


 


Renata Chagas é uma jovem jornalista formada há seis anos. Desde o fim da faculdade, ela investe tempo, energia e dinheiro em sua capacitação profissional. Concluiu dois cursos de pós-graduação – Comunicação e Imagem na PUC-Rio e Comunicação Empresarial da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) – estudou Inglês e Espanhol. Aos 29 anos, analista de comunicação da multinacional de energia espanhola Iberdrola, completou dois cursos on-line com duração de seis meses cada sobre responsabilidade social oferecidos pela empresa.


“O aprimoramento profissional é muito importante para se manter no mercado com algum diferencial. E se a empresa em que trabalha financia os cursos, não considero isso um gasto e sim um investimento para colher os resultados depois”, acredita.


A jornalista Camila Pires, formada em 2004, e com experiência de cinco anos acumulada em uma empresa petroquímica, concorda. “Os comunicadores devem buscar capacitação não somente em suas próprias áreas de atuação, pois isso é um diferencial. Quando estamos muito focados no dia-a-dia fica mais difícil ter idéias inovadoras. É preciso oxigenar a mente para manter viva a criatividade. Ao fazermos um curso ou participarmos de um debate, voltamos para o escritório com a cabeça fervilhando. Principalmente para o profissional de comunicação, que tem a criatividade como matéria-prima, a capacitação contínua deve ser vista como parte do trabalho”, afirma.


Camila concluiu o Master on Business Knowledge Management em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial pela Coppe/UFRJ e, com incentivo da companhia em que trabalhava, fez vários cursos de comunicação corporativa, responsabilidade social e gestão de mudanças, o que contribuiu para a formação de uma visão mais abrangente. Em 2007, deu início ao MBA em Gestão Empresarial pela FGV e agora dedica-se a pesquisas na área de cultura organizacional para o mestrado, além de estar matriculada pela FGV em um módulo de formação internacional de executivos na Ohio University nos Estados Unidos.


“Minha busca por constante atualização vai além da questão profissional. O aprendizado e a troca de idéias são formas de realização pessoal. Não me dedico somente a cursos com aplicação prática na minha carreira. Atualmente, faço parte também de um grupo de estudos que discute de tudo um pouco: cultura, linguagem, filosofia, psicologia e cinema”.


Pedro Cadina, diretor da agência de comunicação corporativa Via News e diretor de capacitação profissional da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) percebe entre os comunicadores uma grande preocupação em manter de alguma maneira uma educação continuada. “As agências de comunicação de uns anos para cá têm desenvolvido políticas de RH para formar e atualizar seus profissionais nos âmbitos da educação e da cultura”, afirma. “Essa tendência é ao mesmo tempo exigência do mercado, que cobra melhor formação a fim de atender aos clientes; e também pessoal, pois o profissional hoje tem consciência de que continuar estudando aumenta sua empregabilidade”.


De acordo com Cadina, as agências de comunicação acumulam muitas experiências boas que podem ser compartilhadas com as empresas clientes no intuito de ajudar na conquista de mais qualificação. “Um segmento que está crescendo muito é o de coaching, (treinamento especializado) que pode auxiliar muito no relacionamento com as comunidades, gestão de crise etc.”, exemplifica.


Uma pesquisa nacional da Abracom para identificar cargos e salários acabou por revelar também informações interessantes sobre capacitação profissional. O estudo constatou que entre 25% e 30% das agências consultadas mantinham programas de incentivo para educação, como bolsas de estudo para cursos de formação e extensão, sem contar cursos de idiomas. “A Associação tem gerado um movimento com as universidades para apoiar no desenvolvimento de cursos, promovendo palestras avulsas e ajudando a divulgar as aulas”, conta. 


Rose Naves, coordenadora do curso de comunicação corporativa da Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo, acredita que o interesse pela educação é percebido apenas em alguns segmentos e em empresas de ponta. Segunda ela, há ainda uma parcela expressiva que não compreendeu o valor da capacitação constante. “Há ainda outra situação”, aponta Rose,”determinado grupo dentro da companhia já atentou para a importância de uma melhor formação, mas a administração ainda não entendeu esse fato e, entendeu menos ainda que comunicação é estratégica dentro das organizações”.


Para Rose, quem quer ser um comunicador do novo tempo precisa entender de política, economia, saber os porquês das coisas. “O perfil desse comunicador é de alguém multidisciplinar, com várias competências, que saiba lidar com a diversidade e com a adversidade. Isso se aprende na prática do trabalho, mas também nas salas de aula”.


 


Fonte: Site Nós da Comunicação – 31/03/2009


FONTE: Nós da Comunicação

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