Conectividade e interação marcam a era Web 2.0 e as empresas que pretendem participar dela

Café da Manhã reuniu mais de 50 profissionais de comunicação em São Paulo para falar sobre o tema


 


Por Érika Ramos


 


Marco Franca, vice-presidente da PR Newswire para América Latina e Sílvia Bassi, publisher e presidente da IDG Now Brasil foram os convidados do 14º Encontro de Comunicação Corporativa da Abracom em parceria com a PR Newswire, na última terça-feira, 02 de outubro, no Blue Tree Paulista, em São Paulo. Os palestrantes falaram a um público de mais de 50 profissionais de comunicação de agências e empresas sobre as diversas oportunidades de negócios e comunicação na era Web 2.0. Marco Franca definiu a etapa atual da internet como sendo um ambiente de colaboração, comunicação, convergência em serviços e comunidade. Para ele, mecanismos como, blogs, sites de busca, portais com suportes de interatividade, compartilhamento de vídeos e fotos, ecommerce, bibliotecas e sites de relacionamento revelam o tipo de usuário e o tipo de consumidor desses serviços.  “Hoje a pessoa tem mais opção. Quem deseja saber a opinião de outros consumidores sobre um produto consegue as informações rapidamente em um blog ou no próprio site da marca”.


 


O palestrante falou sobre as mudanças estratégicas das empresas. “Há alguns anos o orçamento de marketing era aplicado apenas em publicidade. A área de Relações Públicas tinha um trabalho de relação com a mídia. Nos últimos anos a área voltou a focar na relação com o publico”. Marco discorreu sobre o bombardeio de informações sem controle a que temos acesso e sobre a capacidade de filtrar as informações relevantes como usuários, ou mesmo para os clientes, sob forma de negócio. Como exemplo foi citado o Digg, site que permite ao internauta ter acesso a notícias em qualquer lugar do mundo, criando grupos e comunidades onde possam falar do mesmo assunto. Os mecanismos mencionados foram o RSS, de busca e organização das informações, e o SEO, que possibilita o uso de palavras-chaves capazes de direcionar o site da empresa para que o mesmo apareça entre os primeiros buscados. Ele chamou a atenção para o fenômeno dos blogs. “É preciso ter cuidado com os blogs, pois são um meio onde os consumidores estão se comunicando. Se alguém fala mal sobre um produto ou uma empresa essa informação se espalha rapidamente”. Em pesquisas divulgadas pelo palestrante, nove dos sites mais visitados no mundo são blogs.


 


Segundo Marco, as empresas devem aproveitar as plataformas multimídias para passar informações.”A maioria dos celulares hoje têm câmeras e acesso à internet. Graças a essa conectividade uma pessoa comum munida de um celular com câmera pode enviar fotos, vídeos ou mesmo texto para as mídias tradicionais. Assim como os blogueiros, esses usuários tornam-se jornalistas”. Com relação às mídias alternativas, Marco ressaltou o sucesso do YouTube. “Cinqüenta e sete por cento dos americanos vêem vídeos on-line. No Brasil isto está crescendo. O consumo de banda larga vem aumentando a cada dia”. O palestrante citou o Joost, um serviço de vídeo onde o internauta consegue, além de ver um vídeo, ter uma conversa com as pessoas que também estão assistindo o conteúdo. “Devemos repensar como colocamos nossas informações para fora, pois isso afetará as estratégias de nossas empresas”.


 


 


“O consumidor tem o poder e está conectado”, afirmou a palestrante Sílvia Bassi. Para ela, o fenômeno Web 2.0 deixou de ser tecnologia para se transformar em um fenômeno social, político e econômico. Sílvia fez um breve perfil das pessoas que fazem uso do computador dos anos 70 aos anos 90 e mostrou “a quebra de paradigma” advinda com o nascimento da internet. “A internet digitalizou as pessoas. Isso abriu ferramentas ao usuário que possibilitou a troca de informações entre eles”.  Segundo Sílvia, os usuários  de hoje usam a tecnologia para pegar o que precisam, e não necessitam mais de instituições. “Os usuários utilizam múltiplas mídias para se informar. Não dependem mais dos veículos tradicionais”. Sílvia disse que essa independência criou um problema sério para as mídias convencionais. Segundo os dados da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) mostrados pela palestrante, a quantidade de computadores vendidos no Brasil em 2007 vai superar a quantidade de televisores.


 


Sílvia falou de plataformas como o Twiter, Widgets, Buzz, entre outros e mencionou a possibilidade de distribuição de conteúdo com vídeo e áudio, como complemento do texto. Para Sílvia, a internet deixa de ser uma rede para se tornar um ambiente que se espalha em diversos canais, para diversos públicos. Como exemplo citou a divulgação de releases via podcasting e celular. Sobre os sites comerciais explicou que, apesar de continuarem com vocação para as vendas, possibilitaram um ambiente em que o usuário participe, caso da Amazon, Google e outros.


 


Os desafios para as empresas, segundo a palestrante, é que a estratégia de marketing seja agnóstica de mídia. “As estratégias têm que ser multimídias. Estratégias de conteúdo independentemente de plataforma de distribuição. Não se pode pensar em apenas um veículo”. Ela explicou também que,  para superar desafios as empresas devem, entre outras coisas,  formatar o conteúdo para os diferentes tipos de mídia existentes e integrar o conteúdo gerado pelo usuário. “A monitoração dos blogs para saber da sua marca também é importante”, para ela, as empresas podem usar a Web para trazer a opinião dos consumidores e criar ferramentas de gerenciamento de crises.


 


Na quebra de paradigmas citada por Sílvia, não só as empresas tradicionais precisam rever suas estratégias mas, principalmente, as empresas de publishing. “A receita mudou de lado. Os investimentos estão mudando para a Web e a audiência também”. Sílvia explanou sobre o valor das marcas tradicionais no mercado. “Vale agora o pacote que você entrega e não o que você produz. Ninguém precisa mais da mídia tradicional para divulgar seus produtos”.


A palestrante afirmou que a redação deve se comportar de forma cíclica e criar ambientes de comunicação com os leitores. “O jornalista deixa de ser um produtor de notícia para ser um agregador de valor. Isso inclui inclusive divulgar informações de terceiros e dos próprios usuários”. Para concluir, Sílvia explicou que as mudanças nos negócios são rápidas e as empresas tradicionais que não acompanharem essas transformações serão substituídas por empresas novas, sem muito capital, mas com capacidade de adaptação ao mercado.


 


Após a palestra foi aberto debate para que os participantes pudessem expor suas dúvidas e constatações. José Luiz Schiavoni, presidente da Abracom, encerrou o evento ressaltando que as oportunidades de negócios geradas pela Web devem ser aproveitadas pela inteligência das agências de comunicação.


FONTE: Abracom

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