Debate sobre ética na comunicação estimula reflexão

O 1º Fórum sobre Ética na Comunicação reuniu, na última terça-feira, cerca de 120 pessoas entre profissionais, estudantes e professores, no auditório do Hotel Crowne Plaza, em São Paulo. O evento, organizado pela LVBA, Aberje e Maxpress, pretende se tornar uma ação permanente e despertar os profissionais para a reflexão.   Participaram do debate: Clóvis de Barros Filho, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ECA-USP, Paulo Nassar, diretor presidente da Aberje e professor da ECA-USP, Olinta Cardoso, diretora superintendente da Fundação Vale do Rio Doce, Sidnei Basile, diretor secretário editorial e de Relações Institucionais do Grupo Abril, e Carlos Parente, diretor de Comunicação da Avon.


 


Paulo Nassar falou da importância dos comunicadores repensarem o conceito de stakeholders e o nível interpessoal da comunicação. “As redes, os públicos, a sociedade, não querem apenas produtos e bens materiais”, explicou Nassar. Segundo ele, no século XX as empresas capacitaram seus profissionais para a questão dos produtos. Hoje em dia, as empresas capacitam seus gestores para as questões do imaterial, ligadas aos desejos, ao subjetivo. “Os comunicadores passam a ser difusores de informações e começam a ver o processo de comunicação como um todo”.


 


Para Nassar, não existem temas simples no âmbito da comunicação. Atualmente o comunicador precisa lidar com dilemas éticos tais como: aquecimento global, aprofundamento da pobreza e da miséria no mundo, gêneros, por exemplo, a participação da mulher e dos homossexuais no mercado de trabalho. “É preciso fazer reestruturações na comunicação com esses públicos. Mexer com o intrapessoal, com os comportamentos”.


 


Segundo Nassar, o principal dilema ético enfrentado pelos comunicadores, é o modelo de administração das organizações. As organizações impõem um ritmo acelerado, são máquinas mecanicistas que separam as pessoas e privilegiam mensagens instantâneas. A própria cultura da empresa é voltada para o extermínio do outro. “Algumas empresas têm modelos anti-comunicacionais e anti-relacionais”.


 


Olinta Cardoso destacou que a ética é um tema instigante, pois devido à rotina e agitação do dia-a-dia faltam momentos de reflexão. Olinta relacionou a ética com as escolhas pessoais ou profissionais, disse ainda que as escolhas pedem a consciência dos valores. “Para fazer escolhas é preciso ter conhecimento. Não só o ferramental de comunicação, pois esse está disponível. É preciso refletir para fazer boas escolhas”. A diretora apresentou conceitos como os da ética da convicção e ética da responsabilidade. “Muitas vezes não há dilemas só entre o certo e o errado, mas entre o certo e o certo também”.


 


Para falar de ética, o professor Clóvis de Barros Filho analisou características do discurso moral do comunicador. Para Clóvis, para uma empresa existir é preciso que ela tenha um discurso que a defina. Cabe ao comunicador participar da definição da empresa e “escolher”, assumir as responsabilidades dessas escolhas. “O comunicador ou participa do processo decisório e articula a melhor política de passar as mensagens ou continuará passivo, informando apenas decisões tomadas por outras pessoas”. Segundo o professor o comunicador precisa de mais “estratégia” e menos ferramental. Com relação ao equilíbrio entre os interesses de negócios e a ética Clóvis enfatizou que o comunicador precisa ter uma formação que “não é o das faculdades de hoje”. Para ele, os estudantes precisam desenvolver senso crítico, aprender a pensar por si próprios e deixar de usar fórmulas prontas para resolver os problemas.


 


 


“Não adianta você projetar apenas uma imagem. Não é só bater a meta. É vender e ser ético”, definiu Carlos Parente, da Avon. Carlos falou da visão de superfície e da imagem virtual difundida pela publicidade e da imagem real, criada por meio da comunicação por conversações. “Às vezes o discurso está distante da prática porque a gente não se preocupa com o que acontece. O comunicador muitas vezes não vê o composto”. Para Carlos, é preciso “extrair da empresa, para que o seu discurso seja menos incoerente que a sua prática”.


 


Sidney Basile falou das ambigüidades do processo de comunicação e definiu direito e moral para abordar a ética. O diretor explanou sobre a necessidade de resgatar o humanismo nas relações. “Estamos na fase do pragmático, da geração da falta de senso crítico. É preciso ter coragem para quebrar paradigmas e não ficar no superficial”.  Para Sidney o comunicador precisa ter juízo crítico a respeito da sua responsabilidade de comunicar, senão corre o risco de se corromper. “Do ponto de vista prático nortear a empresa por um código de conduta é articular condutas aceitáveis pelos integrantes dessas instituições”.


 


Por Érika Ramos


FONTE: Abracom

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