Gasparetto mostra os 7 mitos da comunicação corporativa

Em palestra pra profissionais de comunicação,


diretor da Gerdau afirma que setor avançou, mas tem muito a conquistar


 


O diretor de assuntos institucionais e comunicação corporativa do Grupo Gerdau, Renato Gasparetto Jr., foi o convidado da nova edição dos Encontros de Comunicação Corporativa da Abracom, na última segunda-feira, 7 de agosto. Falando a um público de mais de 60 profissionais de comunicação de agências e empresas, Gasparetto mostrou o que entende como os sete mitos da comunicação. Na palestra, Gasparetto afirmou que os profissionais do setor já “alcançaram muitos avanços, têm um grau maior de respeito por parte de seus interlocutores, ganham relevo social e sofrem menos preconceito”. Mas para ele, ainda há muito a ser feito para que a comunicação corporativa conquiste um espaço definitivo como atividade estratégica para empresas, organizações e governos.


 


Gasparetto definiu os mitos como imagens idealizadas, que guardam em si um fundo de verdade. O primeiro mito, em seu entender é de que existe um “papel estratégico incontestável da comunicação nas organizações”. Para ele, a tática ainda se sobrepõe à estratégia no trabalho de comunicação. E os profissionais do setor têm grandes dificuldades para lidar com o pensamento estratégico, até mesmo por falha de formação.


 


O segundo mito apontado foi o de que “os profissionais atuam em comunicação integrada”. Para Gasparetto, a comunicação integrada ainda é uma meta longe de ser alcançada. Ele disse que o desafio de unir as diversas áreas da comunicação é tarefa para longo prazo. E que justamente a comunicação corporativa é uma área do conhecimento que deveria se pautar pelo pensamento de longo prazo. “É um profissional que deve ser um maratonista, não um velocista”, disse.


 


“O melhor profissional é o formado em comunicação”. Este é o terceiro mito que Renato Gasparetto elenca entre as visões utópicas da comunicação corporativa. Para ele, a competência é que prevalece e “outras áreas do conhecimento são fundamentais para compor uma equipe de comunicação”. O jornalista e professor universitário apontou também o currículo dos cursos de comunicação como um dos entraves para a formação ideal de profissionais para empresas e agências. E afirmou que as empresas devem valorizar o saber técnico, mas também a inteligência intuitiva.


 


O quarto mito da comunicação corporativa apresentado no café da manhã da última segunda-feira foi o de que “em breve, as áreas de comunicação serão todas terceirizadas”. O palestrante acredita que esta é uma meta inalcançável, por entender que a terceirização tem como limite a responsabilidade estratégica dos departamentos de comunicação das organizações. “O risco não pode ser terceirizado, então acredito em um modelo misto entre a equipe interna e uma terceirização baseada no esforço conjunto entre agência e empresa”.


 


Para Gasparetto, considerar as agências como de “classe mundial” é o quinto mito da comunicação corporativa. E ele explica que vê o mercado brasileiro de agências ainda com um longo caminho para amadurecer. Acha que as agências ainda ouvem pouco os desejos de seus clientes, trabalhando dentro de padrões pré-estabelecidos. Também acredita que as agências precisam definir melhor sua área de atuação, posicionando-se no mercado ou como segmentadas ou, quando se enxergam como agências integradas “que estejam efetivamente capacitadas para atender em uma perspectiva de serviços múltiplos”, disse. Renato Gasparetto Jr. ainda afirmou que as agências precisam surpreender seus clientes, propor novas soluções, gerar novas demandas. E, principalmente, devem investir em seus profissionais, pois, segundo ele, “agência é gente. É a capacidade de sua equipe que faz a diferença”, concluiu.


 


O palestrante voltou ao tema da formação profissional ao abordar, no sexto mito, a necessidade de que as universidades preparem o “profissional do futuro”. Segundo ele, os cursos de comunicação estão muito aquém das necessidades reais do mercado. Mas também crítica as empresas e profissionais que se mantém distantes da academia. “É preciso ir às faculdades, dar palestras, apoiar iniciativas de aproximação entre o ensino e as práticas de mercado”, ressaltou.


 


E para concluir as observações sobre o mercado, Gasparetto falou sobre o sétimo mito, que segundo ele é o de que a comunicação interna é um processo estratégico das empresa. “É uma afirmação que não encontra base na prática da maior parte das organizações”, disse. Para o diretor da Gerdau, a comunicação interna é palco de improvisações, recebe pouco investimento, abaixo de sua real importância para uma estratégia de comunicação realmente integrada. E Gasparetto deu o recado às agências. Em sua visão, é preciso que a comunicação interna seja tratada como uma especialização. Seja por agências que atuam apenas nesse campo, ou pela montagem de estruturas específicas de atendimento para esse tipo de serviço.


 


Na seqüência, foi aberto o debate com os participantes do café da manhã. E das principais questões levantadas foi a necessidade de que os clientes, de um modo geral, tenham uma visão do processo de comunicação tão avançada quanto a que foi apresentada por Renato Gasparetto. É nessa linha que as diretoria de assuntos institucionais da Abracom buscam divulgar o setor junto aos segmentos público e privado, difundindo as melhores práticas de contratação de agências.


 


O próximo encontro da série Comunicação Corporativa será realizado no mês de setembro em Belo Horizonte, com data ainda a definir.


FONTE: Abracom

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