7º Congresso: BNDES e mídia – dinheiro só para investimento e papel

O socorro financeiro do BNDES à mídia deverá levar em conta o risco do desemprego e do enfraquecimento da identidade nacional. O pensamento é do assessor da presidência do órgão, Paulo Totti, ex-editor-executivo da Gazeta Mercantil.



Em um painel do 7º Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, encontro realizado desde ontem (14/04), em São Paulo, Totti defendeu o apoio à mídia condicionado ao cumprimento da missão de um banco de fomento social e de incentivo à produção do País.



Voltar as costas para os meios de comunicação arriscaria um número estimado de até 1,5 milhão de empregos, considerando-se todos os segmentos envolvidos, desde marceneiros aos artistas que trabalham com as emissoras de televisão.



A identidade nacional também estaria ameaçada. Para ilustrar a importância desse aspecto, o assessor citou a tradição de envio de correspondentes ao exterior, o que realçaria a necessidade de uma visão nacional dos assuntos externos, em contraste com o material que chega das agências internacionais. Uma mídia forte sustentaria essa identidade.



O assessor do BNDES prevê um processo distinto do adotado no Proer, em que o governo federal acabou injetando bilhões nos bancos e assumiu a parte podre das dívidas. Agora seria diferente: os socorro seria apenas para os investimentos e para o incentivo à criação e à ampliação de fábricas nacionais de papéis. As dívidas seriam financiadas por instituições privadas. O jornalista parte do princípio de que, caso o BNDES financiasse os débitos, os maiores beneficiados seriam os bancos particulares.



No mesmo painel, ?O Futuro da Mídia e das Relações Empresa-Imprensa- Oportunidade, Desastre ou Mudança de Paradigma??, o diretor secretário editorial e de relações corporativas e governamentais da Editora Abril, Sidnei Basile, ressaltou a perda de receita publicitária dos veículos nos últimos anos, dinheiro que teria migrado para outros segmentos. O desafio da mídia seria oferecer produtos que se sustentem tão-somente no gosto do consumidor, garantindo a demanda e a receita. O acento é a credibilidade que garanta a democracia da informação e a liberdade de expressão, valores previstos na Constituição Federal.



Paulo Markun, comentarista do TV Terra, âncora da TV Cultura e diretor da Agência Deadline, disse que o ?capitalismo?, tão aguardado, não chegou à mídia. O capital estrangeiro ainda está distante. Markun citou uma exceção ao modelo predominante de empresa familiar: a Record. Ressaltou, no entanto, a origem do dinheiro do grupo- a Igreja Universal do Reino de Deus- como destoante de uma fórmula essencialmente capitalista.



Na internet, destacou a proliferação de bloggers e lançou a dúvida de como será a formação do leitor que prefere esses espaços, descompromissados, ao modelo editorial que norteia os principais veículos. O jornalista acha difícil prever uma configuração da mídia brasileira, que viveria hoje em atmosfera nebulosa. A internet, por exemplo, pode avançar a reboque das empresas de telefonia e de telecomunicações. Mas, como em outras áreas, Markun não arrisca, diz que quem tem certeza mente.






FONTE: Comuniquese

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