Assessoria – por que e para quem?

Transitar pela íngreme encosta das relações entre assessores e redações é tarefa espinhosa, mas que dá prazer. Que o diga o jornalista e assessor Maurício Lara, atualmente morando e trabalhando em Brasília como assessor de imprensa da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (Secom) da Presidência da República.



Maurício Lara é jornalista mineiro. Ele tem 50 anos, dois filhos e dois netos. Lara formou-se em jornalismo e administração de empresas. Ele trabalhou em rádio (radio JB), TV (antiga Rede Manchete, como repórter, editor e produtor) e TV Universitária (apresentava e editava um programa de entrevistas chamado Pois é), jornal (Jornal do Brasil e Hoje em Dia).



Desde 1992, Lara é professor da PUC Minas (jornalismo impresso), só que no momento está licenciado da instituição. Em assessoria, o jornalista trabalhou no Sebrae, foi assessor de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e da prefeitura de Betim (MG).



Lara assessorou várias campanhas eleitorais e está em Brasília desde janeiro como assessor de Imprensa da Secom (Luiz Gushiken). Ele é autor do livro "Campanha de rua ? a cobertura jornalística de uma eleição presidencial" (Geração Editorial, 1994). O livro trata da cobertura da eleição de 1989, quando era repórter do Jornal do Brasil.



Mais recentemente lançou "As sete portas da comunicação pública – como enfrentar os desafios de uma assessoria" (Editora Gutenberg/Autêntica, 2003).



Em entrevista ao Comunique-se, o jornalista fala sobre algumas peculiaridades das assessorias.



Assessoria



"Sempre me impressionou a amplitude do trabalho de assessoria de comunicação. Penso que o profissional, para ser um bom assessor, tem que ter seu perfil ampliado. Não que um jornalista/assessor deva ser um expert em publicidade. Mas deve, pelo menos, entender a publicidade e o que esperar dela. Ou precisa conhecer profundamente pesquisa, mas deve saber entender uma pesquisa.



Um assessor tem que estar atento a várias especificidades de seu trabalho, que incluem a relação com a imprensa, a relação comercial com

os veículos (anúncio, publicidade), o tom do discurso (relação com agências de propaganda, as pesquisas, tom do discurso da instituição), comunicação interna, comunicação com a sociedade sem veículos de comunicação (relações públicas), demanda interna (a pressão que a assessoria sofre para apresentar resultados de comunicação) e relação com o poder na instituição.?



A diferença entre assessoria privada e pública



"Há muitas semelhanças, porque ambas devem estar sempre atentas ao direito da sociedade à informação. Muita coisa (a maioria) do livro As sete portas da comunicação se aplica perfeitamente à assessoria de empresas privadas. Mas o foco é na área pública (executivo, legislativo e judiciário), pelas suas especificidades ligadas ao interesse público.?



Função social



"Ninguém precisa deixar de ser jornalista para ser assessor de comunicação. O importante é, antes de qualquer coisa, não perder de vista a função social do trabalho e o direito da sociedade à informação.



O profissional de assessoria, independente de sua formação, deve ampliar seu perfil para ser capaz de entender as outras áreas. Exemplo: um jornalista precisa saber como funcionam a publicidade e as relações públicas para exercer bem a função".



Tênue relação entre produtores de televisão sobre a atuação dos assessores de Brasília.



"O trabalho de aperfeiçoamento dessa relação imprensa/governo deve ser aperfeiçoado cotidianamente. É papel dos repórteres ir atrás da notícia e é papel dos assessores mostrar que a melhor porta para o repórter bater é a da assessoria. No livro, coloco uma regra básica: assessoria de imprensa que funciona o bom repórter respeita; assessoria que não funciona o bom repórter passa por cima e vai atrás da notícia onde ela estiver".



Repórteres e assessores



"Um bom repórter que vira assessor de comunicação, muitas vezes, nem imagina quantas portas ele vai encontrar em sua sala de trabalho. O que ele sabe bem, geralmente, é lidar com seus coleguinhas.



Mas, e o resto? E os anúncios, o tom do discurso, a pressão interna, a relação com o poder dentro da instituição. São portas distintas, cheias de sutilezas e perigos".


FONTE: Comuniquese

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